quinta-feira, setembro 09, 2010

deixa viver

"tem uma essência que marca e prende e liberta [...] se impregna de palavras soltas e sentimentos livres. se encolhe em si. se encontra mais longe. no lugar que ainda não conhece, no tempo que ainda não imagina. as vidas andam. assumem forças. encontram-se pelas calçadas e esquinas. dentro e fora de lugares e quartos comuns. seja perto. seja forte. seja uma semelhança e um encontro aleatório com quem nunca imaginou. a surpresa se enche e se embala em um conto estranho. daqueles que dizem pouco e muito. daqueles que mudam a vida sem fazer diferença. segue pelas contradições, pelos caminhos inesperados, pelas escolhas variantes. cheio de espinhos que furam e sugam um pouco daqui. de si. dela. do corpo. da alma. da paz. é a calma aprensentando o olhar diverso. é a raiva acompanhando a dispersão.  leve-se. eleve-se. livre-se do alheio e vai conhecer a si mesma, enquanto sente a água tocar os pés.em percurso. de escolha em escolha. de detalhe em detalhe. do caótico e gritante olhar. ao excesso de tranquilidade e equilibrio." [deixa viver]

quinta-feira, setembro 02, 2010

pessoas

quando começa a imaginar que compreende um pouco as pessoas surgem várias atitudes, palavras, fugas que demonstram o contrário. quanto mais se conhece mais dificil de entender. talvez seja melhor deixar de lado esses seres estranhos. talvez seja melhor manter aproximação com quem de fato se deixa entender. será que existe alguém assim?

quinta-feira, agosto 19, 2010

São


São como... essas limitações impróprias da vida. Me pergunto como ainda hoje algumas atitudes soam ainda como uma afronta, como um risco, como uma raiva alheia ao que não se permite perceber. Sábios são os loucos, definitivamente. Aqueles onde a coragem é um ben primordial, o mais forte, o mais consciente dos sábios se permite. Ousa escrever palavras fortes e gritantes, ousa contar da própria vida mais do que deveria. Ela é mais forte ou frágil do que parece? A quem diga que seu comportamento não lhe traz, não lhe leva a nada. Isso importa? Ah, foda-se. E quem mais quer que critique a coragem das palavras, que grite mais alto que essa mulher que alimenta a vida de felicidade e sonhos.  São as coisas e atitudes frágeis e breves. A vida é recheada desses segundos felizes e horas e dias de preocupações absurdas com o que podem pensar. Não pra todos, felizmente. Há quem perceba esse dom breve de sequências e idéias absurdas, corajosas, que enfrentam mais do que ao próprio reflexo. Se é fácil alimentar a alma? Se é fácil alimentar o corpo e o prazer que deita ao seu lado? Se é fácil gritar aos opostos? A coragem corre nas veias da pessoa que inspira essa alma e esse corpo são, até excessivamente são.

impressões

eu visualizo. de um lugar distante, sem muitos sons. as imagens se mesclam com o olhar miópe. as luzes são meros pontos luminosos, como se um ponto fixo se expandisse e  se juntasse às cores do céu. quem percebe as gotas na lente? os olhos escuros? a voz mais rouca do que deveria, sem importar. já não canta tão alto, nem sussura ao ouvido de alguém.


é de um encontro aleatório, sem expectativas. ao mesmo tempo, em que olha pros lados buscando rostos familiares. uns e outros que você encontra pelas ruas e bares da vida e aprende a só cumprimentar. se familiariza com os gostos alheios, mal conhecendo. admira à distância os caminhos de vidas de pessoas que mal lembram seu nome. estranho é nomear sentimentos e encontrá-los pelos rostos e sorrisos de quem te encontra uma vez só. estranho é algumas pessoas imaginarem que realmente conhecem você.


sou ao mesmo tempo a melhor e a pior pessoa. a mais feliz e a mais dramática. a companhia e amiga de vários e a mais sozinha. a mais cuidadosa com as palavras, a mais eloquente, a mais calma, a mais excessiva... a que ama demais, a que sente mais raiva... sob perspectivas e olhares diferentes. onde fica o meu? onde fica a percepção clara do que vejo no reflexo do espelho e por trás dele?


se gastar meu tempo diluindo essas impressões... se gastar a vida justificando as escolhas, os acertos e erros. se deixar que conduzam essas raras escolhas que a gente tem o "direito" de fazer... o que sobra? umas miséras horas recheadas de noites mal dormidas, de programações excessivas, de cuidados absurdos.


olha pros dois lados. passa dias e noites (principalmente) procurando o familiar, o semelhante.. aquele que se reconhece em uma ou outra frase. quando encontra... se faz o que? fica imersa em si mesma. fingindo que o dia espera encontrar algo mais....

segunda-feira, agosto 16, 2010

desapego

sob certas tentativas. estabelecendo certos contatos. proximidades. sem atitudes exatas. sem certezas ou cuidados. algumas insistências deveriam ser ignoradas. algumas brincadeiras e excessos. será? tentando efetivar um certo desapego. tentando lapidar alguns sentimentos que duraram demais. apagando algumas memórias, necessidade? talvez. depois de feito um arrependimento (não tanto) nutre o corpo de idéias erradas.

sem focos estabelecidos. sem desejos concretos. quer ir vivendo da maneira que for. concretizando coisas, deixando o caminho livre para as surpresas que surgirem. é, de certa forma, um guia.. de comportamentos, de cuidados, de situações... se é necessário? nem sei se isso importa. vai tentando construir o mais lento possível. vai tentando conhecer na marra. forçando as portas dos sentidos alheios. tudo parece significar.         

"não, eu não alimentei isso". 

será que não? tenho frases marcadas, tenho conversas na memória, tenho alguns dias recentes, alguns cuidades, atitudes, preocupações... 

"mas isso não alimenta, não dá força, não apega?" 

quem sente. é quem sabe. 

"não acredito que sente tudo isso ainda.." 

pois é. a vida surpreende. tinha certo medo, de encontrar, de esquecer, de superar... 

"nem eu acredito, nem suporto, nem quero". 

se coloca diante da porta. acompanha todo o dia. fica esperando. ver indo embora. alguém deixa um liquido fresco escorrer dos olhos. não quer falar a palavra que marca tudo isso. deixou de dizer coisas. deixou de sentir coisas. durante o tempo perto esqueceu que algumas coisas devem ser deixadas, devem ser abandonadas em uma memória de simples objetos e linhas. pelo que contou do tempo, dos dias... fica uma memória breve. fica um sentimento forte. que já nem sabe o que é. 

"como não sente raiva, como não sente dor?" 

"como se esquece? como se suporta?" 

"deixando o tempo, deixando os dias, deixando o líquido cair, deixando as palavras gritarem, tentando deixar de sentir"....

sexta-feira, julho 23, 2010

...

porque aqui se manifesta uma sensação no minímo estranha. não sabe o que pode sentir, fica imaginando as possibilidades mais absurdas de ação e reação. tem medo de encontrar. medo de ser vista. um medo simples. das coisas mais banais. parece uma despedida. quando um ciclo se fecha, quando finalmente se deixa livre para encerrar histórias que já duraram tempo demais. que ficaram presas além do corpo. a intenção é parar de alimentar toda a superficialidade, todas as impressões de que esses reencontros são necessários. não apago as pessoas. não desisto delas. não supero como finjo. se parece claro? se soa fácil? acho que nem eu saberia responder. se quer uma história da vida. abre a porta. deixa o caminho livre. por mais que soe poética. por mais que tenha a intenção se deixar coisas e idéias implicitas.  por mais que tente ser irônica, metafórica...


deixa a clareza ultrapassar a intenção.

quarta-feira, julho 07, 2010

encontros aleatórios.

decisões precipitadas. vai enfrentando as paranóias alheias. vai sentindo como se fossem suas. sua fragilidade, de certa forma, está nos outros. nos que olham, nos que falam, nos que deixam de falar... ainda naquelas pessoas que não deviam importar tanto quanto importam. sai ouvindo novos sons. vendo a vida com cores novas. com histórias que podem acontecer. com viagens que planeja, com sonhos que mantém. sem limites. sem fronteiras. deixa o tempo correr solto. se entregando rápido. deixando sentir. o que importa além da sensação? tantas momentâneas. tantas desesperadas. sai contanto pelas frestas  as histórias que deixa passar. 

sexta-feira, junho 11, 2010

contando

em uma sala vazia, em um andar vazio. já faz algum tempo que não passo tanto tempo diante de uma tela branca sem saber o que escrever. vou tentando e ocupando as linhas. cada vez mais devagar. sensações no minimo estranhas, sons no minimo impróprios. do elevador vazio. da porta abrindo. junto aos sons habituais. tantos e tantos. uma saída rápida pra mais um cigarro. mais um xicara de café. tentando fazer o tempo passar devagar e ele corre. uma noite que promete ser longa, ser intensa. como tantas. comum. cansativa. excessiva. será que importa essa sensação e esse descaso com que tenho levado a vida? será que realmente faz diferença pra alguém? acho que me soltei do mundo e de todas as limitações e incoerências que as pessoas proclamam. bradam. gritam. o que se faz em silêncio. o que se espalha pela vida.

vai contando histórias próprias, abrindo o próprio livro e deixando-se ler. será que conhecer tão bem alguém pode, de fato, gerar certa repulsa? acompanha os olhos que se abrem com sono, o café frio do dia anterior, o cigarro matinal, o imenso percurso do dia, as noites mal dorminas, o excesso de bebida. acompanha. vai falando mais alto, contando mais, pedindo mais atenção. como se consegue ficar sozinha em um ambiente barulhento e cheio? peço sugestões.

se sente deslocada. se sente ao mesmo tempo superior e inferior. maior e menor. parece que em poucos segundos toda a sensação e as escolhas mudam. de uma garota, mulher, menina visualmente feliz. parte pro clímax oposto. aí está a grande história, o apice. que vai lentanmente se transformando em um fim de filme, música, história. não acho que desenvolva uma trajetória clara. mas será que é necessário? não acho que as coisas por aqui façam sentido, não espero que façam. vou deixando uma parte de mim fluir de um jeito estranho e contar um pedaço, um segundo, um minuto (no máximo) de algumas dessas sensações.

as vezes não acho que quero tanto. quero uma folha. um lápis. uma tela, um teclado.
uma música. um conto curto de um bom dia. um sorriso mais livre, não daqueles que se forçam pelo reconhecimento, não de cumprimento. quero mais tempo. mais cuidado. mais respostas. mais força. mais companhias. qual é a principal busca? qual é o principal desejo e medo que coexistem num corpo só? se me ensinar a superar talvez os sentidos se alterem. talvez eu traga de volta a beleza de certas linhas. talvez eu saiba o que escrever. talvez eu construa novas histórias. sem uma auto-biografia pseudo poética na qual tenta se camuflar.

se as pessoas tem medo de deixar a vida contar. eu continuo. sem importar se alguém reconhece. se alguém se encontra. quero mais é guardar no tempo as experiências que eu tive, que eu tenho e que eu posso ter.

sexta-feira, junho 04, 2010

surpreende.

deixa a voz falar com calma. parece sonho a frase. parecem sonhos os dias. tem uma janela na casa. avista uma praça, algumas pessoas. um movimento simples e diário. parece uma vida tranquila demais. fica imaginando um futuro estranho, sem tempo. uma limitação imposta. por escolhas, por descuidos. se quer ficar esperando que as coisas aconteçam procure outra pessoa. olhe mais de perto se for preciso. e saiba que eu, definitivamente, não sou a pessoa certa. tem uma varanda no alto do prédio, tem um mar e uma lua acompanhando a vida. os inícios de noite. as preliminares dos excessos. quando se dá conta já fez tudo o que disse que não ia fazer. já falou, já gritou. já reconheu no espelho um personagem estranho e, por vezes, alguém que gera repulsa. se a felicidade se externa tanto. se a tristeza se esconde tanto. tem uma coisa errada na vida. fica fingindo que vive bem de coisas superficiais. mais esconde do que mostra. fato. as escolhas aleatórias tem consequências. tem erros. com um medo enraizado na alma que impede de dormir. mais tempo fora que dentro de casa. porque conviver comigo não tem sido fácil. se dispersa na multidão. por vezes de rostos conhecidos.

pensando se vale a pena começar.

terça-feira, junho 01, 2010

amenidades

sem amenidades. chuva forte durante a manhã. o sono acompanha o dia. o café forte já não surte efeito. saiu mais cedo. esperou mais tempo. o corpo em sentido oposto. a sensação da pele queimando, do olhar perdido. a voz rouca. impedindo o dia mais longo. nada de paredes brancas. nada de felicidades simples. fica imersa. deixa a água mais quente tocar. tranca o quarto, janelas, portas, esperanças. fica a mercê da opinião alheia. se entrega. mais.

as pessoas mudam? as pessoas escolhem? são.

tem uma essência que marca e prende e liberta. e grita do alto de onde fica durante a tarde. deixa-se na varanda do décimo andar. o céu vermelho dando lugar à lua. mais cheia mais cheia. se impregna de palavras soltas e sentimentos livres. se encolhe em si. se encontra mais longe. no lugar que ainda não conhece, no tempo que ainda não imagina. as vidas andam. assumem forças. encontram-se pelas calçadas e esquinas. dentro e fora de lugares e quartos comuns. seja perto. seja forte. seja uma semelhança e um encontro aleatório com quem nunca imaginou. a surpresa se enche e se embala em um conto estranho. daqueles que dizem pouco e muito. daqueles que mudam a vida sem fazer diferença. segue pelas contradições, pelos caminhos inesperados, pelas escolhas variantes. cheio de espinhos que furam e sugam um pouco daqui. de si. dela. do corpo. da alma. da paz. é a calma apresentando o olhar diverso. é a raiva acompanhando a dispersão.  leve-se. eleve-se. livre-se do alheio e vai conhecer a si mesma, enquanto sente a água tocar os pés.

em percurso. de escolha em escolha. de detalhe em detalhe. do caótico e gritante olhar. ao excesso de tranquilidade e equilibrio.

pára de sonhar com a vida. e segue. e apega. e prende. e ama. e sonha. e fala. e grita. deixa que contem. e parafraseando uma música dessas da vida "deixa viver".

segunda-feira, maio 31, 2010

ela

ela é diferente. de um jeito meio torto. se joga fácil, se rende. sem cuidados, sem controles. é distante.
passa o tempo contando a vida, abre o livro inteiro e deixa a história voar por aí. palavras descontroladas, frases de efeito sem filtros. sem cuidados. a unha vermelha descascando, o lápis manchando o olho.
ela deixou o corpo leve. que a paranóia dos outros fique longe. se te olham diferente deixa olhar. se faz coisas inaceitáveis deixa fazer. precisa fazer o que? ser diferente? agir diferente? fingir?

as pessoas ao redor olham sem calma. mais que observam, julgam. se me incomoda? as vezes. se me machuca? as vezes? mas essas são as que menos importam. tem melhores formas de se fazer um convite. tem reações mais cuidadosas. ela deseja mais que pode. fato. ela faz mais do que deve? não sei. os limites se guardam em outras pessoas. uma delas importava. em processo de deixar de importar.

só sei que ela pediu um tempo de calma. só sei que ela deixou de esperar pra viver.
só sei, que não vai se espelhar em ninguém. se quer saber... o tempo é pouco, a vida é curta. não espera mais tempo e salta do mais alto pra vida.

ela anda pela rua mais feliz. ela canta alto com os fones de ouvido. importa que a escutem. ela sabe o que faz bem. se outros sabem, deixa assim. fica perto. mais tempo perto. não deseja mais tocar, falar. mas tem a necessidade incrivel de ver. deixa passar longe. olha pelo canto do olho. fala mais do que devia. deixa uma ligação desnescesária contar do fim de semana. sem ele por perto. o outro lado da linha parecia estranho, parecia não conhecer. até a parte que lembra claro. o que falou? o que ouviu? realmente importa? importa que a mensagem não foi respondida. importa que não liga de volta. importa que passou. se ela quer ficar inventando desculpas pros outros... será que é a única a fazer isso? mas... mas... mas... quando alguém precisa de palavras explicitas... não adianta amenizar.

acaba-se.
começa.
finda-se.
sem esquecer.

possibilidade remota de tirar da cabeça. será?
a noite mais longa em uma distância próxima. será?

ela fica na cama. na casa. no trabalho. no tempo. na praia. há tempos sem ter sono. há tempos com a memória estranha. há tempos sem lembranças. conta alto a vida. escreve depois, pra um dia. quem sabe. talvez. ter o que lembrar. edita os fatos. edita os erros. o jeito estranho de cuidar de si mesma. cada vez mais explicito e incoerente. importa?

só se pode gostar dela. conhecendo seus defeitos. não se espera muito. não se cuida direito. não lembra os detalhes. tem preguiça por vezes. tem vicios extremos. ama demais. se apega demais. melhor apresentar-se.

sexta-feira, maio 28, 2010

equilibrio?

quanto mais se procura pior. acordando em cima da hora, andando sobre um fio. equilibrio só no sentido literal.

inacabadas

tem um pedaço solto de vida por aí. uns retalhos no chão, um copo quebrado, um cinzeiro cheio. muitos textos e livros pela mesa. a memória cheia. o pouco espaço. essa caleidoscópio confuso das coisas inacabadas. será que termina? será que começa?

olhando pelo canto. o sorriso escondido. que seja silêncio por mais tempo.
esses dias a vida tem passado devagar. sem direções precisas. importa?

segunda-feira, maio 24, 2010

sussurando

alguma expectativa? vai mentir que não. talvez seja hora de começar a seguir meus próprios conselhos. ou parar com essa hipocrisia idiota de se achar dona da razão e das idéias certas. pelo que eu tenho sentido talvez seja o oposto disso. se joga. pula. faz tudo o que quiser fazer. o que, de fato, quiser. não o que pode esquecer na manhã seguinte. se precisa controlar o corpo deixa a alma livre, aberta, ganhando espaço pelo mundo alheio. é fácil? difícil? que sentido esse tipo de limitação pode ter? é o que fica gritando dentro que uma hora se solta de si, se prende em outro. se quer fazer alguma coisa hoje. diz. se quer dizer que sente alguma coisa. faz. passa o tempo. passam as mágoas. passa a vida. passa o forte e volta o superficial. pelo caminho e pela experiência tenho perdido tempo. perdido o foco. perdido memória, lembrança, sentimento, opção, controle. o que pode mudar? me tranca em um lugar, sem porta, sem janela, no escuro limitado pela fresta, me deixa ver o lado de fora sem poder sair. me deixa sozinha. talvez assim eu desista das minhas escolhas. talvez assim eu escute os conselhos que eu não quero seguir. (não todos, alguns). faz o caminho oposto e me deixa assistir você se distanciar. fica longe. e canta no volume mais alto. eu guardo a voz na memória. e dentro. até que os poros se abrem e a reação se força a sair. é como uma metáfora. é como uma ironia. uma pessoa que se desliga deixando o mundo no superficial. quando passa por tantos o que justifica se ligar a um? qual é a estranha escolha do acaso que me faz lembrar só dele? o que mais se afasta? o que mais encanta?

descanso algum tempo. cansada de bater na porta trancada. cansada de tentar passar pela fresta. pelo menos a voz. cansada da ausência do mundo. e da companhia insuportável de mim mesma. o corpo suado, a boca seca. sussurando. pelos cantos como se alguém que não ver pudesse ouvir. quase ouço a resposta. quase ouço você.  e fico voltando. indo e voltando. de um lado pro outro. com o corpo cansado. com a cabeça doendo. tentando dormir pra começar a viver do lado de fora.

diferente

porque o gosto é diferente. porque o jeito é diferente. a voz mais suave. o desejo mais forte. quando encontra de um lado da rua. quando olha. pelo menos é a sensação que eu espero, que eu quero. do superficial pro absoluto. do vazio pro cheio. querendo encontrar e tocar outra vez. tem espaço pra isso? tem tempo pra mim? talvez eu consiga aprender a deixar a vida fluir sem ser à força. talvez eu consiga entender cada uma das limitações. o tempo não é o mesmo. o desejo não é o mesmo. talvez eu consiga. talvez eu queira esperar.

segunda-feira, maio 17, 2010

personagem


A personagem é de fato quem quer ser. Pelo menos por uma noite, extrapolando limites, indo aos extremos, excedendo. Na manhã do dia seguinte os excessos cometidos fazem diferença. Semana conturbada, se deixou fora de si por muito tempo. Entre mensagens, ligações e encontros desnecessários. Sem arrependimentos absurdos, quase não faz parte dela esse pedido insano de desculpas. Se quiser que queira assim. Será que tem certeza disso? Lapsos claros na memória, horas apagadas, sono insuficiente, dor de cabeça. Disfarça o tropeço público, perde a vergonha de sentar no bar e ficar sozinha. Hoje espera que o olhar tenha sido menos explicito do que lembra. O que descontrola alguém assim? Tem medo de abrir a vida, mas abre. Tem medo de falar alto, mas grita. Tem medo de olhar e falar, mas sente. Tranca o caos, guarda, e explode. Insuportável até para ela mesma. O cuidado anula um pouco a vida. E vai pelo meio das ruas, a hora que for, e vai por caminhos estranhos, como se a confiança, o excesso, o descaso... a protegesse. A vida está chamando agora. Precisa ser mais racional, sensata, até a loucura impõem seus limites. Por hora, senta diante da tela, se protege na personagem que só pensa que é. Enquanto esconde as imperfeições do corpo, dos desejos (nem sempre reais) do que precisa? Agora? Ver o céu. A dimensão dos sentimentos e a reação à eles não pode ser compreendida por aqui. As pessoas se protegem de modos diferentes. Tem medo de modos diferentes. Sentem de modos diferentes. Pena que esse modo pode ser insuportável para todos. Agora faz sentido. Como se convive com um personagem tão instável? Se alguém souber me conta. O sonho e o desejo se anulam. Deixa de achar possível uma mudança nos dias seguintes.

Depois da noite. Parece que o tempo passa devagar.  Alguma coisa errada, que não lembra. Acorda com o rosto marcado da noite mal dormida, com sobras de maquiagem nos olhos. Com vontades precipitadas. Com ações precipitadas. Mas será que as pessoas realmente devem se impor controle? Se quer ligar, se quer escrever, se quer tentar, desistir, lutar, sentir, fazer, gostar... que faça! Se as pessoas se importam com as reações, as vezes estranhas demais talvez (na verdade eu sei que são) pode pura e simplesmente ser a indicação que essa idéia de caminho era precipitada demais (errada). Os encontros são diferentes, os sentimentos nunca são claros assim. Sem paranóia, sem precipitações, sem excessos, sem confusão, sem caos, sem loucura (só por um tempo), me despeço. A vida segue, e por um tempo, tenho outras coisas a fazer.   

quinta-feira, maio 13, 2010

sozinha

senta mais perto, a mão aproxima devagar. não precisa falar. o som conta o início da história. que talvez comece só do lado dela. enquanto deixa ficar com o tempo, com a brisa. o vento que bate forte no rosto, que arrasta cinzas pra perto dos olhos força uns pensamentos e umas imagens inatingiveis.
 ficou sozinha esse tempo. conversas imaginárias e todo o resto só aqui. só dentro dela. pedindo calma, pedindo tempo. pedindo volta. volta que me impede. parece que o corpo sente, que falar é desnecessário. e quando se percebe o tempo da história passou, e todos deixaram passar. ao fim do dia, caminham para lados opostos, vidas opostas. não há mais encontro. nem sentido. a sensação passa em algum momento. e mais uma vez, alguém prende tudo no corpo, pior que isso. prende mais forte. os sentidos afloram. e a beleza transborna em um liquido salgado que cai dos olhos.  andam a distância, por caminhos paralelos. que acidente da mundo pode colocá-los no mesmo lugar?

planos

que passe rápido. da intensidade absurda começo a me fechar. como se dá um tempo de tudo? como me tranco em casa e fico mais comigo que com as outras pessoas? eu e um texto que tem que ser escrito. eu e planos, metas, sonhos que só dependem de mim.

quarta-feira, maio 12, 2010

a flor da pele

a flor da pele. além da conta. os poros se abrem. a voz sai mais alta. a respiração alterna entre uma lentidão extrema e ofegante. os sentimentos por todos se diluem e misturam e mesclam, ao ponto de já não conseguir identificar que sentimentos são e por quem. a pupila dilata no quarto a meia luz. espelhos em lugares certos. músicas boas, outras suportáveis. hoje as paredes não escutam enquanto eu falo cada vez mais alto. na iminência do grito. no sussuro de uma voz alheia à mim. já não reconheço a memória. sem lembranças de algumas noites. que não se superdimensione. que não se conheça tanto. tenho tido certo medo de conhecer, de deixar conhecer. frase, relativamente, estranha pra quem se adaptou a excluir certos filtros e deixar a vida ser contada aos quatro cantos.

quarta-feira, maio 05, 2010

ela, eu...

Guardava um pedaço do corpo. Tentava sentir o rosto, ouvir a voz. A vontade era aproximar o máximo possível. Eles se encontravam. De um modo aleatório, meio descrente de relacionamento. Só se viam, deixavam as mãos juntas, falavam, sorriam. Quase choravam quando necessário, pelo menos ela. Andando sozinha por ruas mais que conhecidas, cada trecho, cada esquina, cada bar... a memória não filtra. Mantêm preso cada detalhe. Cada palavra se nutre de um sentido absurdo. Ocasionalmente na mesma mesa, ela quase se apropria desse sentimento absurdo que impregna, que invade. Parece que todo o sentido está aqui, nessas poucas horas, nesses dias que eu fico vivendo ininterruptamente até agora. O eu se mistura ao ela. Parece que fica um medo de deixar reconhecível, de ficar claro demais cada um desses sentidos que transparece por aqui. Ele se consagra no suor, nas mãos frias, no nervosismo. As vezes eu acho que ficar longe, e se manter longe, é de fato a melhor alternativa.

Os olhos se abrem ao extremo. O ouvido apurado pra ouvir qualquer um dos sussurros. O nome se prende na memória. Em qualquer lugar que vá, parece o único. Talvez a lembrança tenha de fato o poder de eternizar as coisas.

Vou deixar o corpo fingir por mim. Enquanto eu conto aos poucos e sinto forte demais. Ela era puro medo, pura entrega. Deixava a liberdade extrema se infiltrar pelos poros. Como se cada letra gritasse. Pelo som calmo demais que segue por aqui. Se deixa ficar. Estar. Vai seguindo pela calmaria, se é que possível. Se é que ainda resta tempo. Tem o corpo marcado, a vida meio diluída. Só lembra de uns fragmentos, de uns trechos. Vai preenchendo as lacunas, construindo uma vida nova. Ela não era toda feita de boas histórias. E, aqui, vai tentando pelos dias, pelas horas, pelo tempo renovar o que resta.

O tempo não é preciso. A vida não foi perfeita.

Alterna sentimentos bons e ruins. Vai sonhando mais que sentindo mas, afinal, quem pode dizer que nos sonhos não se vive, não se sente? Pressente. Supõe. Constrói. E mantêm o não querer esquecer. Fica mais forte, o corpo preso à memória. Guarda, assim, os detalhes do que é possível. Se pode sonhar outra vez, que comece agora.

segunda-feira, maio 03, 2010

lembrança

eu te guardo. como uma fotografia que eu não tenho. como uma música que eu não fiz. vou te guardando perto sempre. na cabeceira da cama, ou na própria cama pra não me deixar esquecer. quem disse que é dificil esquecer? o dificil é querer esquecer. quero uma volta mais forte. umas sensações que me lembrem alguns dos muitos dias. lembro de uns detalhes e esqueço o relevante dia que a 'história' deixou de existir.

deixo pra lembrar dele depois. fica uma possibilidade de a memória voltar quando tocar de novo. quando sentir e ouvir outra vez. eu espero. assim como guardo, uma memória que ficou mais forte. uma que me deixa contar como parte de mim. porque é. parte. todo. vivendo por si, independente da vontade e do desejo. que é mais forte agora. foi mais forte ontem.

eu não apago. não quero. não deixo. não suporto.
prefiro te ter longe, do que não te ter. não importa o que seja. pode ser uma conversa mais demorada. uma lembrança mais presente. uma declaração mutua de saudade.

é bom ouvir a voz perto. tocar o rosto. e simplesmente lembrar.

quarta-feira, abril 28, 2010

falta

como é que te tira da cabeça? como é que uma ligação não me deixa dormir? me encho de saudade. mas o tempo dela já passou. é o que parece. pelo menos é o que devia. quem disse que deixar de ver, quem disse que estar longe... torna mais fácil esquecer as pessoas? elas ficam meio 'presas' em você. com todas as lembranças guardadas, de todas as formas, guardadas. e as vezes é quase como se pudesse sentir tudo de novo.

aprendendo, novamente, a conviver com a falta.

terça-feira, abril 20, 2010

fragilidade

me pergunto de onde vem essa fragilidade repentida. esses pensamentos e mensagens enviadas durante a noite. deveria? claro que não. não faz mais sentido. nem aqui vai fazer. a não ser pra mim. quem compreende quando o olhar desfoca, quando os vultos tomam conta de uma imagem antes clara? os vultos de pessoas que podem ser conhecidas, dos que nunca vi, das conversas que se iniciam agora. dos encontros que se tenta marcar. vultos. experiências difusas. expectativas difusas. consolidando amizades talvez. criando argumentos pra alguma história que possa começar a escrever a partir de hoje. ou não. sempre a metafóra, o irônico, além do hábito. hábito de complicar de confundir. de afastar talvez. quero que se aproxime. quero que se afastem. entre uns e outros amigos, conhecidos, uns sentimentos de tempos atrás. fico entregando a vida, exposta assim. tão claro como as metafóras. tão inocente quanto as ironias. será que importa de fato as certezas que se imagina ter. os sentimentos as vezes são tão vulneráveis, que de um segundo a outro, de um olhar a outro absorvem o que não precisam e mudam. e desistem. estou nesse caminho. no início. claro que pode ser revertido, mas agora, não por mim. vou deixar os segundos guiarem algumas das minhas escolhas. deixar que eles se encontrem com os de outra pessoa. talvez a gente esbarre um no outro e nem perceba. talvez a gente odeie um ao outro e nem perceba. o amor ficou longe. e nem no meu mais absurdo desejo acredito que possa voltar.

sexta-feira, abril 16, 2010

encontros

num encontro desses. um lugar meio fechado, meio exposto. uma noite só. podiam ser tantas. fica um pedaço na memória, um pouco no gosto, no desejo, no querer sentir e tocar de novo. quem sabe. quem sabe o que pode acontecer, até mesmo em um curto intervalo de tempo. podem surgir novas pessoas. posso finalmente conseguir me despedir de algumas. posso rever uma dessas que encontrei e conheci pela vida em 40 minutos de conversa em um aeroporto, em uma cidade meio longe daqui. quem sabe. só não pretendo me deixar presa à essas expectativas e idéias que não se firmam, que não se deixam claras. tem um medo enraizado no corpo. um desejo enraizado na carne. uma sensação de que as coisas, todas elas, permaneceram inacabadas. e quanto mais fica longe, quanto mais demora pra ver, falar. a vontade aumenta. o desejo aumenta. me daria uma tarde, uma noite, uma manhã. o tempo inteiro de um dia. de uma semana. só pra trazer de volta à memória. só pra encontrar e deixar viva a sensação que tivemos juntos. não foram suficientes. preciso demais. quem não precisa? quem não quer?

uma vontade de andar pela rua de madrugada. a cidade quente. a temperatura da noite instiga. faz querer mais que descansar. um copo de uma bebida gelada. o último cigarro solto no maço. deixando que chegue às três da manhã. talvez o tempo não conte de fato tudo o que se pode viver. um mês curto. um mês longo. o tempo inteiro com a impressão que durou mais. quero segurar a mão. quero andar. quero te olhar de novo. mais de perto. mais perto. até que toque. até que os sentidos se alternem. do olhar ao tato.

são umas vontades soltas. que não se fixam em ninguém. talvez momentaneamente. talvez agora. talvez esteja claro pro mundo, pra quem me conhece, de onde o alvo se aplica. as pessoas vão sim, reconhecer a cidade. reconhecer o rosto. a voz. elas entendem.

por que agora parece me fazer mais falta? por que deixei essa história tão inacabada que agora volta quase por completo? acho que não me recupero. que não esqueço. que tudo fica meio preso em mim. os sentimentos. por todas as pessoas que já passaram. não foram tantas assim. mas essas poucas ainda não me deixam esquecer.

quinta-feira, abril 15, 2010

eu, ela...

você pode me encontrar em um lugar longe. o que importa é que me encontre. com saudade imensa. vontade de abraçar e sentir de novo. e cada vez mais forte. um olhar e pensamento fixo. quero a vida mais presa que solta, entre as minhas mãos. quero mais sonhos que certezas. mais liberdade, mais loucura. se é que é possível.

ela te quer de novo. se é que deixou de querer algum dia.

ainda ouço a voz um pouco baixa. ainda sinto a mão.

não eu, ela. ela. ela é quem te espera. ela é quem te quer. que pensa o dia inteiro. que sonha.

só preciso me convencer disso.

sexta-feira, abril 09, 2010

sentimentalismo

um sentimentalismo. como daquele da época de escola. sensações. das mais estranhas. minha vontade agora é caminhar pela praia, ver um pôr-do-sol, uma lua cheia. ler umas cartas. encontrar algum estranho pelo caminho. começar uma conversa, deixar ela inacabada.

quinta-feira, abril 08, 2010

encontrando

e essa paranóia de querer sentir as pessoas. de querer perto. um abraço mais forte. uma sensação de vazio que estagna um pouco o corpo. quero os detalhes concentrados de todos. de todas. dos de perto e dos de longe. me parece um certo egoísmo talvez. nem tanto. de escolha em escolha se forma um caminho, uma perspectiva de vida talvez. uma sensação. ou várias. o corpo pede. o coração sangra. corre um liquido meio salgado dos olhos. e quem explica de onde vem? e quem encontra o lugar certo entre as pessoas. umas tão diferentes. umas tão iguais (se é que alguém pode ser). esbarrando. encontrando. talvez uma única vez. mas não importa. fica forte. fica perto.

terça-feira, abril 06, 2010

saudade

ninguém disse que é fácil. despedidas nunca são. fica uma saudade absurda, um pouco de vazio. a sensação de que deixou um pouco de si em cada lugar, com cada pessoa. essas que são inesqueciveis. essas que vemos no máximo três vezes por ano, nesses encontros da vida, mas com o abraço cada vez mais forte. mais fiel. mais verdadeiro. acho que é a maior força que eu tenho. a vontade de ficar junto, de lutar junto. talvez tenha demorado demais pra deixar isso tão a flor da pele nos últimos dias. não consigo mais ficar longe, mas como se consegue estar em tantos lugares ao mesmo tempo? pará, piauí, paraíba, maranhão... precisaria de mais tempo. precisaria ser mais de uma pessoa, estar em vários e vários lugares ao mesmo tempo para tornar esses raros encontros suficientes. e eles nunca serão. porque alguns amores são inesgotáveis, quando se partilha essa força, essa construção, essa luta social, esse sentimento se fortalece, se amplia, se renova. com essas pessoas. e com as que estão por vir. não achei que pudesse ser mais forte, que pudesse ter mais coragem. nos surpreendemos com nossas próprias mudanças. espero ter mais dessas surpresas. espero ter mais desses dias. espero estar mais com essas pessoas. o sentir, ultrapassa o saber, o perceber... prefiro sentir. prefiro que sintam. só o sentimento traz a força necessária.

quarta-feira, março 24, 2010

sensibilidade

eu sempre acho que passou. mas aparece uma foto no canto da página, uma conversa mais curta. o tempo passa mas as coisas não se apagam. hoje eu queria apagar de vez, esquecer. uma pessoa que você não conhece, que não faz diferença encontrar. tô com uma sensibilidade estranha pra agora voltar a pensar nisso. com uma saudade estranha. com uma vontade estranha.

de verdade, acho que o que quero mesmo é mais tempo. mais cuidado. de vez em quando ficar sozinha cansa. descanso disso em casa, depois do trabalho, depois da aula, com a porta do quarto trancada.

quarta-feira, março 17, 2010

narrativas

percorrendo os caminhos da história. tentando sentir na pele. tentando construir uma narrativa linear... pra que, se nada é linear? só uma sensação de que se pode contar e escrever sobre tudo. tenho até medo do que vai restar dessas 11 páginas.

começa a edição. como é difícil apagar o que foi um parto pra escrever. =/

quarta-feira, março 10, 2010

indo

uma demora do tempo. em fase de tentativas, de sugestões. caminhando, relativamente devagar, mas sem parar...

quinta-feira, março 04, 2010

cansaço

não sei se tenho pra onde ir. nem lugares. nem pessoas. como se faz a vida quando se chega nesse limite? sem muitas conversas. sem bom dia. sem cumprimentos, sem motivos. não sei o que torna os dias bons, talvez só tenha encontrado motivos e idéias erradas. de mim. dos outros. não tenho tanta força. nem o minimo que pareço ter. de vez em quando a vida cansa. de vez em quando não se consegue andar.


se é um momento assim? que as letras digam.

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

dele

queria uma parte dele de volta. uma imagem, fotografia, memória, lembrança...


...uma experiência...

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

partes

o que importava... não importa mais. em uma estranha seleção de prioridades. até que não está sendo tão difícil fazer escolhas. será que realmente fiz alguma nos últimos dias? quem sabe. posso passar os dias assim. andando mais devagar. olhando mais em torno de mim. o mais longe que der. ultrapassar a fase de olhar. chegar perto. sentir. imaginar a pessoa que posso ser. e ser. o que se faz quando os sonhos são opostos? quando suas duas possibilidades duelam. se é que são só duas. posso ser, ao mesmo tempo, pessoas tão diferentes assim? já é hora de pensar no tempo. já é hora de adiantar o que era sonho. de criar alternativas, possibilidades. de ser um pouco mais concreta. sem parar com nenhum dos sonhos. mas uma escolha se faz. pode dissipar com o tempo. pode tornar real. será que realmente ainda é cedo pra saber? espero que sim.


o tempo pode lapidar e destruir.


qualquer das coisas. qualquer das partes da vida. a gente vai se equilibrando entre as várias partes. claro que sem nenhum equilibrio, quase caindo sempre. sentindo a adrenalina de cair. sentindo o medo. e uma certa força. que não faço idéia de onde vem. será que pode mesmo ser de mim? tem um jeito de se sentir sozinha. como ninguém mais. um jeito de ser melhor e precisar de tantas pessoas por perto.


cadê a força? cadê o certo? cadê o tempo que sobra? cadê a parte de mim que aguenta firme e segue em frente? uma parte que dilacera com uma frase. frágil. será? leve. será? o rosto desfocado talvez conte minha história melhor. talvez faça mais sentido. talvez me encontre de um modo mais verdadeiro. se é que alguma parte de alguém é suficientemente verdadeira?

terça-feira, fevereiro 09, 2010

distante...

por uns dias. ou tentando ficar. metas de organização. será que alguém consegue mesmo seguir? duvido bastante de mim nessas horas. depois da tentativa quem sabe eu descubro.

quinta-feira, janeiro 28, 2010

de volta

ócio criativo? nem tanto. ócio? nem tanto. sem tantas utilidades e pretensões nos últimos dias. cheia de hábitos. dormindo às 4 da manhã. fazendo nada. mudando de canal numa limitada tv aberta. vagando entre os filmes trash de um e a pregação de outro. com uma imagem ainda por cima não tão nitida, sem surpresa considerando que a antena só tem um lado. de volta ao calor. o som do ventilador quebrado que em cada volta interrompe o sono. se é que tenho sono. até às 11 da manhã. acordo suando. naturalizando o calor da cidade no corpo. o quarto fechado, com um pouco do cheiro do cigarro impregnado no lençol, na parede, na boca. nem eu aguento mais o cheiro. a sensação. enfim. a nicotina com o café. hábito forte adquirido, principalmente, nos últimos dez dias. sem saudades da chuva, do tempo, do alagamento nos corredores da puc. nem quero imaginar o resto da cidade. vista de um modo tão limitado enquanto subia e descia as rampas pros internalos do cigarro. o fumante faz suas próprias pausas.
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enfim de volta. em uns segundos e fico mais velha. nenhuma idade peculiar, nem marcante. 23. (talvez me lembre um filme, número que vira fixação) que não vire hoje. não esperei tanto tempo no aeroporto dessa vez, conheci um cara lá. uma conversa de 40 minutos ajuda a passar o tempo. hábitos comuns definitivamente aproximam. quem mais estaria com as malas de 10 em 10 minutos na porta do aeroporto com uma garrafa de coca na mão e um cigarro na outra. uma troca de telefones, e-mails. talvez a gente se veja em olinda. ou não. quantas pessoas não vou encontrar mais? em quanto tempo?
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chego com uma nova viagem inteira planejada pra depois da formatura (se é que ela vai mesmo chegar...) brasil, bolívia... encontrar e passar por mais pessoas. que talvez não encontre mais. adapte-se. planeje-se. contenha-se. sem despedidas exageradas. meta de aprendizado. como se fosse possível. quero morar em tantas cidades ao mesmo tempo. belém. joão pessoa. piauí. curitiba. aracaju. um pouquinho em fortaleza também. talvez. =)
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enfim. do trabalho pra casa. dormir. acordar. almoçar. trabalhar. tentar escrever (...) continuações. querendo enquadrar a vida no tempo. no pouco tempo. nas pessoas. nem tantas pessoas. ainda estou numa sensação de vazio estranha. por mais que faça planos. por mais que viva algumas coisas. ainda não mudou.
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descobrindo um modo de mudar. ou fingindo que estou.
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quinta-feira, janeiro 14, 2010

...são paulo...

sexta-feira, janeiro 08, 2010

...

...talvez seja hora de preencher o vazio...

terça-feira, janeiro 05, 2010

vazia

não tenho pensado em planos. em metas. em sonhos. acordo pra dormir e durmo pra acordar. leio um pouco. sem escrever muito. não tenho visto sentido, nem futuro. acho que ninguém precisa ser otimista o tempo todo. com o que têm acontecido é difícil ser. quero ir embora mas preciso ficar.

terça-feira, dezembro 29, 2009

distante

daqui desse décimo andar. em intervalos para um cigarro no fim da tarde. entre prédios, com uma visão meio distorcida da beira mar. me sinto mais parte da cidade. de um modo extremamente distanciado. como as coisas têm sido. distantes. das pessoas. dos lugares. procurando um lugar que não sei se tenho. precisando organizar. a vida. os pensamentos. as situações extremas e, de certo modo, erradas. quero fugir um pouco e não acho que devo me sentir mal por isso. são as escolhas que a gente faz sem querer. quando se perde o controle, quando se perde a capacidade de pensar antes.


sem deixar o corpo guiar talvez a consciência se mantenha no lugar. talvez não fique presa em mim um pouco de culpa. a capacidade de esquecer, de apagar. de controlar. preciso de tempo. preciso dormir. preciso conhecer mais do mundo pra fazer escolhas. se elas serão certas só posso deixar pra descobrir depois. deixei as pessoas um pouco de lado. me deixei um pouco de lado. o que têm me guiado? já não sei. já não sei se faz diferença saber. posso começar. longe. distante. com pessoas diferentes. ou talvez baste que eu mesma mude.


deixo pra descobrir ano que vem.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

estou começando a acreditar que nunca aconteceu.


dias felizes. histórias novas. lembranças boas que começam a se formar.


que venha o tempo estranho de descobrir coisas novas.

segunda-feira, dezembro 21, 2009

(...)

não que faça muito sentido pra mim, mas o horóscopo diz: inferno astral. será? pelo que anda não parece tanto. em alguns pontos chega a assustar. de um modo estranho. numa vida entre extremos, limites, danos. pro que eu tenho esperado, pro que eu acho, pro que parece. um jeito de apego forte e sem muito sentido. quero ficar mais tempo. sempre mais. perto. intenso. em busca. seja lá do que for. um caminho não tortuoso, não humilhante... mas no mínimo esperando sem ter. querendo, desejando. parece que perdi um pouco do que achava que tinha. que apareçam mais.


não sei o que faz alguém se apaixonar. acho estranho usar algumas palavras. amor, apaixonar, apaixonada e todas as suas ramificações. soa meio falso, meio instável demais. não falo dos outros. falo de mim. o que faz? não foi o sexo, não foi a confiança, não foi o quanto se conhece, não foi o tempo, não foi a convivência... nem tantas outras coisas, nem tantos outros quesitos que se possa considerar. em algum momento teve um olhar estranho. um jeito meu. acho que só meu. sem reciprocidade. pareceria estranho pra mim deixar ficar alguma coisa que tenha sido recíproca. enfim. teve um segundo assim. alguns. e eu olhava. parecia só querer uma pessoa. coisa estranha. mais uma. não tem uma característica que me limite. são tão diferentes. tão opostos. cada um dos que passaram. os que foram quase simultâneos na última semana. todos. não. não queria todos. não faz diferença tê-los por perto. só um. talvez o que chegou mais de surpresa. os outros foram quase previsíveis. e a previsilibilidade realmente não me instiga. não me faz desejar. nem sei se desejo. só guardo um pouco e gasto um pouco do meu tempo com uma lembrança boa, mas bem que podia ser melhor. bem que podia ter mais tempo. ter mais força. mais desejo. mais (...) claro que dá pra saber que palavra está entre parênteses. podia ter mais. se o espaço não fosse tanto. se eu não sentisse tanto que foi um momento. uns segundos. teria mais. umas visitas quem sabe. talvez. será? até semana que vem devo desejar um pouco, querer um pouco, sentir um pouco de saudade. mas passa. como têm passado.


como já passou.

terça-feira, dezembro 08, 2009

hoje

não é bom como imaginava. nenhuma sensação tão absurda assim. tentando controlar desejos, que talvez nem sejam meus.talvez não esteja imune à desejar algumas facilidades, uma história mais simples. nada de experiências normais demais por hoje. se é que avalio bem o conceito de normalidade. não acho que ninguém consiga, diferir nessa linha tão tenue o que é normal, o que é meio louco. preciso de uns dias calmos e mais longos. de mais tempo. de mais força. de escolhas mais fortes, de conseguir fincar o pé e me manter nessas escolhas. o que eu realmente gosto. para conseguir avaliar o que me faz feliz ou me mantém feliz, o que é uma busca, ao que eu me adapto.


manutenção de um estado meio sufocante, claustrofóbico. sem muitas escolhas. sem tantas janelas. que suma essa consciência, semi, de me tentar escolhar caminhos mais tranquilos, mais leves. não sou assim. ou só não quero ser. será mais fácil deixar o corpo seguir mais instintivamente? nunca fui de pensar muito antes de fazer algumas escolhas, antes de falar algumas coisas, antes de me entregar demais. com palavras e atos por vezes precipitados de um modo excessivo. mas a precipitação chega mesmo a ser um defeito? de certa forma é um modo de ser sincero, de reagir... as vezes machuca, os outros, a mim. mas hoje acho que o controle está mais em ficar longe, em deixar uma distância segura entre todos. sem que se conhceçam, sem que eu conheça, sem me deixar conhecer tanto.


fraquezas à mostra. feridas abertas. tantas e tantos. os que passam e eu deixo passar. depois de uma insistência momentânea, de um apego frágil. de uma coisa mais minha, as vezes acho que a terceira pessoa da história não importa muito, não importa tanto. e essa insistência. nele. em todos. por uma confiança que não existe, ou que era tão frágil que se diluiu. ninguém é imune. ninguém é forte o suficiente. nem tão frágil que mereça ser tão cuidado ao ponto de alguém abrir mão. não acredito, hoje, frisando o hoje, que haja uma complementação perfeita. as pessoas passam de um modo pela vida, que acreditar que substituições não existem chega a ser ingênuo demais. fica a história, as lembranças, os sonhos, umas conversas, uma vida de certa forma. algo mais importa além disso? você se apropria um pouco, deixa um pouco de si. e cada um parte pro mesmo caminho, pra caminhos opostos. só não se veem do mesmo modo. a vida passa. e só podemos nos deixar passar.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

vazio de ter um olhar calmo pro nada. dia cheio de sono. uns sonhos estranhos, que não seja nada profético eu espero.

quarta-feira, novembro 25, 2009

tentativa

talvez eu devesse ficar mais quieta. talvez fosse mais simples observar sem intervir. será que é o ideal? será que eu consigo? estou tentanto reavaliar algumas coisas. algumas atitudes. algumas omissões. tentando tocar um tipo de movimento que talvez não compreenda tanto. porque certas vezes eu me sinto frágil pra aturar uns detalhes que perseguem a vida, as pessoas. não é simples. não é calmo. é inquietante demais. e eu me aprisionando pra conseguir ficar quieta. mas sem limite. em confusão extrema. em tentativa.


estou em busca. do que se descobre pelo caminho. talvez. ou não. preciso de uma pausa. de um tempo meu. de um espaço meu. pra construir um limite. uma história. qualquer coisa.


se eu não sei se faz sentido. como posso querer que entendam? a clareza talvez, nesse caso, não seja tão extremamente necessária.


até.


um dia.


quem sabe.


ou não.


*se eu não desejo tanto. não quero fazê-lo desejar*

sexta-feira, novembro 20, 2009

...

bem que podiam ser menos previsiveis.

achei que conhecesse pessoas maismais... livres.

não que me decepcione. só não mais, super estimo ninguém.

sexta-feira, novembro 13, 2009

sexta

definitivamente mais leve. um descanso meio forçado. sono sem sonhos. vontade de dormir às dez da noite. sem motivo pra tanta exaustão. sem cansaço fisíco o suficiente. só cansada. de uns dias longe. de uns dias perto. honestamente não sei se quero me aproximar ou afastar da pessoa que ocupou minhas últimas três semanas. encontros e conversas diárias. situações que eu imaginava mais do que vivia. não sei. não sei. não imagino até que ponto isso ainda pode ser levado. talvez tenha parado na hora certa. não quero ser cuidada e (ainda) não posso cuidar de ninguém. melhor jeito de explicar, nenhuma sensação é tão plenamente descritivel. nem eu sou tão boa com as palavras pra descrever. as vezes as frases parecem sem muito nexo. sem muito jeito de quem tenta explicar. elas me constroem de alguma forma. elas olham e contam a vida pra mim. só descubro o texto depois de pôr o ponto final e começar a leitura. não páro tanto. não penso tanto. as mãos fluem sobre o teclado ou com lápis, caneta, papel. só fluem. tentando ser apressado, tentando acompanhar os segundos. os tempos. os detalhes que se encontra sem perceber claramente.


vou caminhar de um lugar à outro pela praia de iracema. encontrar uma amiga. ouvir músicas o resto da noite. em um lugar cheio. entre vários conhecidos, uns poucos amigos. e mais estranhos. não sei se estou disposta. mas fico sempre nessa tentativa. de achar que podia ter sido bom. que pode ser. melhor me arriscar.

quinta-feira, novembro 12, 2009

quinta

tem uns espaços livres nos últimos dias. um tempo estranho, um estado de espera. meio solta e leve demais. nem sabia que conseguia ser assim. não sei se doí mais encontrar ou perder as pessoas pela vida. as sensações diferentes que quase se fundem nas meras tentativas. nos espaços vagos. nos dias longos e lentos demais. encontra uns sotaques pela noite. reconhece pessoas e situações que não conseguia lembrar. tenta fazer diferente. mais distante. quanto mais tenta se distanciar mais aproxima. voltando. sons, sotaques, vozes, conversas diferentes. que eu teria talvez. ou que tive, será? um jeito de aproximar-se dos desejos que sente. de todos os planos e metas e sonhos (daqueles que acontecem) aos poucos. vai conhecendo. encontrando pessoas que fazem e vivem do que quer fazer. treinando uma espécie de futuro, uma espécie de história. quando confundir sua vida com a de outro. talvez comece a sentir falta de mim. das independências e confusões que são minhas. não que me guie por horoscopos da vida, mas não fui calma, tranquila e amena como deveria. hoje falei alto, discuti, tive raiva, tive medo. adiei algumas coisas. a sexta é mais tranquila. mais leve pra se levar.

terça-feira, novembro 10, 2009

espera

um encontro tardio. e por todas os seus detalhes precipitados. como tudo têm sido sempre. precipitação. um sentimento não tão claro, não tão fácil de aceitar. umas sensações. como falei para alguém em algumas dessas conversas, a recorrência faz esperar, faz achar que existe alguma coisa. quando, na verdade, não faz tanta diferença assim pra mim. só mais uma coisa que começa, que termina. melhor. mais simples. mais tempo vivendo sóbria, tranquila. numa quietude desejada e difícil de chegar. quero encontrar um caminho diferente. nada dessas pessoas tão fáceis de encontrar e conhecer.

hora de esperar um certo encontro. sem frustrações se não acontecer. mas de certo modo feliz, até pela simples espera.

quarta-feira, novembro 04, 2009

quando começa

a gente conhece umas pessoas, umas sensações tão...diferentes pela vida, que fica tentando entender o sentido de querer perto. um jeito simples demais de conhecer. um jeito simples demais de ficar perto. pra quem costuma cultuar a loucura é no minimo estranho, no minimo leve demais pra suportar.

e passa.

enquanto o passado volta de algum jeito.

quinta-feira, outubro 22, 2009

ligação

um pouco de tempo. e as coisas fingem passar. mas voltam de um modo absurdamente exagerado. enquanto fala ao telefone, enquanto lembra. vai pensando no quanto essa memórias foi boa de ser construída. é estranho como se gosta das pessoas. como se começa. como se mantêm. conheci algumas pela vida, talvez numa quantidade maior no último ano, de janeiro pra cá, de uma mudança pra cá, de um rompimento pra cá. rompimento não tão explicito, sem o ódio, a repugnância necessárias pra esquecer. foi ficando. fica. está. claro que de um modo diferente, mais claro, mais longe, mais aceitável. mas está. é bom pensar nas pessoas. imaginar as situações. sonhar um pouco. mais acordada claro. desejando. hoje, a voz foi mais calma. o falar pareceu mais sincero, mais calmo, sem cobrança, sem nenhum desejo aburso demais. só queria ouvir. só queria o tempo. só queria ficar mais instantes nesse fio. nessa conversa. nesse jeito de gostar. diferente, sim. mas que continua. não é mais tão extremo, tão exagerado. a vida, de vez em quando, só de vez em quando aprende a ser calma.

segunda-feira, outubro 19, 2009

escolhas

é um momento de escolha. de umas definições que precisam ser feitas. de repente, o tempo passa. de repente as pessoas somem. a vida toma rumos estranhos. você se descobre, se lapida. ou tenta. na verdade tudo é mais uma questão de tentativa. eu tento. não sei extamente o que tenho tentado, ou pior, o que espero conseguir. todas as possibilidades, as mais estranhas, mais diferentes, mais imprevisiveis, todas são possíveis. posso terminar ou não. posso começar ou não. posso ir pelo caminho, aparentemente, mais fácil. mas, afinal, quem define o que de fato é uma facilidade? você se rodeia de caminhos, de possibilidades, de pessoas que tem levam a lugares diferentes, de conversas que não imaginou que teria, se rodeia de coisas tao distintas, tão distantes... que por mais que o caminho seja complicado, dificil e longo. aquele momento ali, parada, diante das possibilidades é o que machuca mais. talvez eu não saiba fazer escolhas. na verdade, não é uma questão de saber, só não consigo. só fico meio neutra demais. com as possibilidades dispostas. com as pessoas me esperando. várias. em lados e situações diferentes. e eu, só, não consigo. do modo mais simples, mais puro, não consigo escolher. que filme ver? que música ouvir? com quem sair? ir pra casa ou não? acabo dando voltas pela cidade dentro de um ônibus prolongando o momento de escolha. adiando. deixando o tempo passar. até que a hora me leva por conta dela. o dia termina e um pouco da vida passou. comigo, com a chance de escolher nas mãos. com as possibilidades sendo assistidas enquanto olha a rua passsando pela janela.

por enquanto é só.

enquanto o caminho me tenta. enquanto vontade me tenta. e o medo, e a coragem. não me deixa escolher.

nostalgia

nunca achei que fosse realmente ficar feliz em deixar as coisas passarem. e muitas passaram. um de cada lugar, um de cada fase. sairam de mim e levantaram vôo alto. pra longe. cada vez mais. e não me sinto mal assim. as coisas mudam. eu também tenho que mudar. tenho uma nostalgia estranha. uma vontade estranha que ver outra vez, falar outra vez. não tem nenhuma parte em mim tão consciente que entenda que as semalhanças não estagnam. talvez não consiga passar mais tempo conversando com nenhum deles, ouvindo, falando. talvez não faça sentido querer isso. quando se deve mudar. até as pessoas, não todas, não em todos os sentidos, passam. ficam bem mais na memória que na vida. umas não tem como esquecer. não se quer esquecer. espero que lembrem. como as vezes, nem eu, consigo lembrar.

quinta-feira, outubro 15, 2009

extremos

se encontrar o caminho, fala pra mim. olha pra mim. e finge, até me fazer acreditar. as vezes as pessoas vivem das esperanças em que acreditam. e são felizes, nem todos os sonhos precisam ser realizados para fazer a felicidade ser por eles. e ela é. você conta pra mim, minuciosamente, como foi o dia. como foi a noite. encontra comigo, e em cada fragmento de tempo despeja um pouco do que viveu e sentiu quando esteve longe. as vezes sufoca, nos impede de viver juntos qualquer coisa. e eu, ouço. com atenção. com desespero. com pressa, com vontade de ir embora. de ir contar um pouco de mim pra quem escute um pouco, não fale tanto. um dia eu encontro num pedaço de mim. essa vida que viveram e contaram. sem reproduzir. mas quero contar também. o dia não foi calmo, nem tão harmonioso quanto o horoscopo dizia. talvez eu sempre espere mais. mais de mim. mais dos outros. mais do tempo. mais.

não é fácil aprender a viver de um modo equilibrado. vai sempre andando pelos extremos. ou fala baixo demais, ou grita. ou fala demais, ou não fala. ou conta, ou deixa contar.

quarta-feira, outubro 14, 2009

amor


pisa em falso. o coração comete a loucura de querer acreditar num troço chamado amor. que nome mais sem sentido por sinal, é o que serve para todos, mas ao mesmo tempo, tem um medo de ser dito. é um jeito meio leve demais de se deixar flutuar. sob tantas sensações estranhas, um calor e frio juntos. o braço arrepiado. o corpo arrepiado. de uns desejos fortes e profundos demais. quem quiser que me conte suas próprias experiências, eu só tento escrever as minhas. do modo menos claro. menos certo. menos calmo.é uma sensação urgente, apressada, forte que rompe com toda a delicadeza, calma e cuidado que as pessoas fingem que precisa ter. ah...mas não têm. é lindo. o amor é de uma beleza pura demais.o que falta às pessoas é compreender o sentido da pureza, não é de se filtrar, se controlar, se guardar demais. é de se deixar sentir. se deixar amar. é a sinceridade do desejo, da loucura que contam todas as histórias de amor. pelo menos as que valem ser ouvidas, ser vividas. transbordando, do que talvez não tenha desejado, mas se deixou sentir.os reflexos podem ser diferentes. um, o que é. outro, o que quer ser. mas sentem, talvez não igual, mas sentem. as gotas leves. a areia no chão. não se vive de um amor preso às pessoas. a vida se abre e enche o mundo, sem barreiras, de amor. sem restrições, sem limites. de puros sonhos e desejos.

imagem:

http://www.flickr.com/photos/mardesmiolada/2020979197/

olhos nos olhos (chico buarque)

Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci

Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer
Olhos nos olhos, quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais

E que venho até remoçando
Me pego cantando
Sem mas nem porque
E tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você

Quando talvez precisar de mim
'Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim
Olhos nos olhos, quero ver o que você diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz

terça-feira, outubro 13, 2009

outra, outro

melhor contar tudo na cara. soltar de vez. sem fingir que não sentiu nada, que não escutou nada. ninguém aguenta tudo calada. eu não. por mais estranho que seja melhor abrir tudo e perder de vez. do que ficar numa tentativa falsa de que as coisas vão dar certo. nem tudo dá. talvez um passo pra felicidade seja admitir e aceitar essas coisas.
que seja claro. o que é um obstaculo afinal? ser a outra, ser o outro? nesse sentido talvez não haja obstaculo... prefiro e preciso de um pouco (ou muito, talvez excessivamente) de umas histórias de nelson rodrigues na minha vida. se eu não sou a garota perfeita, se eu não sou a ideal... melhor fazer tudo o que me dá vontade sem preocupação nenhuma, sem esconder nada. não sei do que eu posso precisar na vida pra ser feliz. ainda não sei. mas não acredito que seja ter uma vida amena e tranquila e calma e pura. tá mais pro caos, pra loucura, pro desejo, ou melhor, pra satisfação dos desejos. a paixão talvez seja mais importante que o amor. ou talvez seja um complemento dele. sem desejo, sem um pouco de medo, de ciúme... nenhum sentimento resiste.


o que eu tô tentando fazer? o que eu tô tentando fingir?


um dia isso se explica.


=)

quinta-feira, outubro 08, 2009

(...)

"Queria tanto que alguém me amasse por alguma coisa que escrevi". (Caio Fernando de Abreu)

também queria. =)

terça-feira, outubro 06, 2009

situação

tô começando a sentir o que a vida faz. começando a perceber e entender melhor as necessidades. o que posso fazer agora? pela primeira vez estou fazendo o que está ao meu alcance. talvez até além. não consigo mais achar que depende só de mim. e não tenho idéia do que posso fazer. dessistir agora? deixar passar? tentar outra coisa? começar de novo? o que e como ? sem idéias. talvez amanhã acorde com novas idéias, metas, perspectivas. talvez eu decida arriscar tudo de vez. tentar ir embora. tentar começar. fazer o que eu quis. o que eu quero. ter uma fresta de felicidade diante de mim. todo mundo tem um dia ruim (vários dias ruins). não dá pra acordar bem todo dia. abrir a janela e achar o dia lindo nem sempre é fácil. e talvez (ou com certeza) não deva ser. pelo menos tenho pensado nas decisões que preciso tomar. aceitando que cada um faz por si. que a vida continua com a distância de quem você achou que era pra sempre. que as escolhas, que o caminho pode ser penoso, dificil, cansativo. mas que, em alguns momentos, eles fazem valer qualquer dificuldade de antes. que eles marcam todo o esforço, todo o trabalho que teve. é o caminho que te faz enfrentar. e parece que chegou minha hora de aprender, de enfrentar. de ir em frente. de alguma forma, ainda não sei como, só sei que vou. por incrível que pareça ando bem feliz. bem mais segura. por mais que a situação me trave um pouco, bastante. não acredito mais em modelos feitos de felicidade, posso fazer tantas coisas, viver de tantas coisas. vou construindo isso no caminho. nunca é tarde pra mudar.

se é pra ser uma conversa.

até mais.

sexta-feira, outubro 02, 2009

tentando dar espaço pra dias felizes. ou, no minimo, divertidos.

quarta-feira, setembro 30, 2009

ah não. justificativas não. por que não fala logo na cara? fala mais alto. ou melhor, escreve em caixa alta. tudo é melhor. foda-se se é clichê, mas sinceridade acima de tudo. acima de você pelo menos. honestamente, de um modo estranho, não sei pra quem se direciona isso. se alguém se sentir atingido, sinta-se a vontade pra falar alto, pra xingar. ando precisando mexer a vida um pouco. discussões ou declarações, qualquer coisa é melhor do que esse estado neutro demais.

segunda-feira, setembro 28, 2009

tarde

Quando a gente se encontrar talvez seja tarde. Tenho imaginado tantas possibilidades pra deixar a vida seguir. Tenho até me visto feliz. Com uma sensação boa de que as coisas podem dar certo. De algum forma, em algum lugar.

sexta-feira, setembro 25, 2009

...

será que já mudei de idéia? talvez...quem se importa com isso. só eu escrevo, só eu leio. essa história de blogs as vezes perde o sentido pra mim, é um espaço fragmentado demais, não que eu tenha alguma coisa contra fragmentos... de vez em quando fico tentando lembrar de alguma coisa que li, em algum lugar, site, blog...quase sempre não lembro. será que sempre fica um pouco de cada pessoa perdido na memória de alguém, uma frase, uma palavra, um sentimento... umas dessas coisas que vê e sente e não lembra de onde, de quando, de quem. até que já tentei ser mais sucinta, limitar a quantidade de caracteres por força. não parece mais cômodo pra mim, a vida vai se enrolando em várias linhas, as vezes, linhas demais. mas se só eu leio, não vem ao caso agora. hoje tava olhando um blog desses perdidos por aí, as vezes, só as vezes, não vejo muito sentido em filtrar tanto um blog, sem comentários, sem pessoas que possam ler. parece meio sem sentido construir um espaço assim. entra a contradição quando assumo que tenho um desses, com um nome que hoje acho até mais criativo que esse, 'ao reflexo', daqui a pouco enjôo desse também e faço outro. porque, afinal, a vida é cíclica, mutável, um dia você gosta outro não, um dia você escreve outro não, um dia você é feliz outro não e assim por diante. hoje é um dia estranho. acho que poderia passar a noite escrevendo, viajando, abrindo mais espaço nessa janela que limita o texto. mas é melhor parar, continuar pode até me fazer desistir daqui. desse espaço meu e meu. se mais alguém freqüenta vez ou outra eu esqueço ou não sei.

quarta-feira, setembro 23, 2009

vontade

não me conta as histórias antigas. algumas pessoas passam rápido demais. e do nada um contato mínimo vai se intensificando: recado, e-mail, ligação... começa a sentir saudade. começa a sentir vontade. queria pegar um avião e ir a salvador hoje. não lembro de ter sentido uma vontade tão merecida de ir a algum lugar. de ver alguém. até a saudade hoje parece um elemento a ser construído pela vida. nos últimos dias, to tentando cumprir obrigações. trazer algumas pessoas de volta. viver a minha vida mais do que a das idéias, dos desejos, das utopias, dos sonhos... ter os pés no chão pode me aproximar mais do que eu quero. estou começando a vislumbrar possibilidades, fatos, sentimentos mais bonitos e mais sinceros do que qualquer um que já tenha tido.
se a vontade aumentar. tem um feriado chegando. um lugar pra ficar. e alguém que eu quero mais que ver.
pode até parecer, mas não sou tão realista assim, nem quero ser. preciso pular do muro do que ficar no chão. pelo menos por instantes se tem a chance de ver do alto. mas continuar lá. como se continua? sem saltos arriscados, sem ficar parado... vai pensando nas formas de escalar mais alto, de cada vez subir um pouco mais, pode cair. mas levanta. sobe. continua.

segunda-feira, setembro 21, 2009

vicios

ah. anda descobrindo uns medos da sinceridade. uns medos dos delírios que os vícios provocam. anda se entregando demais à eles. talvez qualquer um que esteja por aqui já tenha visto, sentido, ou vivido comigo um pouco disso. será que é melhor tentar controlar o caos? tenho percebido que as minhas maiores admirações são por pessoas tão estranhas, que cada ação mais sem noção que eu cometa, acaba sendo puramente normal. talvez cada um se encontre de um modo individual, com suas especificidades. se encontrando com a própria personalidade, sua, do outro, do amigo, da pessoa com quem passa noite. se encontrando, se mesclando. quanto mais pessoas por perto, quanto mais vezes se entrega e talvez pra pessoas diferentes (nem sempre), as vezes exageradamente, quanto mais faz isso, mais sente prazer em ficar num canto lendo, ouvindo uma música meio triste, meio melancólica demais. passa a sentir mais prazer em sentar em algum lugar e escrever coisas do dia, dos sentimentos, das frustrações. ou pelo menos tentar. li em algum lugar essa semana, não lembro onde, alguma coisa do caio fernando de abreu, uma carta, um conto, uma crônica... não lembro e talvez não importe. a literatura, assim como qualquer carta, entrevista ou depoimento está impregnada de verdade, enfim.. li, claro que não são exatamente essas palavras mas... é como se estivesse vendo tudo de uma janela, assistindo a vida e não conseguindo viver. não consigo abraçar, falar, ficar perto, jogo a vida e as sensações no que ando escrevendo, como se a vida fosse uma página, uma tela, uma miragem, visão de uma janela. imagina tanto, cria tantos diálogos, conhece tantas pessoas assim, que parece que viveu.

talvez pra memória baste lembrar. a vida editada, pelo que vale a pena. pelo que quer.

quarta-feira, setembro 16, 2009

(...)

passado... é onde tenta afundar o corpo quando se joga na cama. deixa o colchão ser moldado pelo corpo onde passa o dia. passa o tempo assim, no colchão, no corpo... e não há quem interfira, telefones desligados, portas trancadas, tudo o que precisa é lembrar. ele que vá embora. já deixou tudo, todos os dias já pertencem a ela. a voz, o rosto já estão fixos, a presença se torna desnecessária. é essa a alice do reflexo, de olhos inchados cansados de tanto dormir. é pra ela que canta, pra ela que escreve. é o que a faz lembrar. o papel gasto se perde, os sonhos não. e sonha o passado. vai lapidando os dias enquanto se olha no espelho. veste as melhores roupas, arruma o cabelo, tem unhas e boca vermelhas. dentro do quarto, pelo reflexo, deixa a memória lhe fazer companhia. abraça, mexe no cabelo, ouve a voz dele em uma longa conversa, a noite chega, a madrugada adentro... e vai sorrindo pela boca, pelos olhos. até que dorme, com o cheiro guardado, com o corpo guardado moldando o colchão enquanto amanhece. e é dessas manhãs... mais bonitas que outras... mais felizes que outras... no sonho acordado em que se permite viver.

pode dispor de tempo, pode pensar a vida... talvez esteja no caminho errado. será que tenho que esperar concluir pra perceber o erro? tudo pode compensar o tempo gasto, as pessoas, as experiências. os detalhes que se pode escolher enquanto anda pela rua.

até um dia qualquer. num encontro marcado e remarcado que talvez demore a vida pra acontecer.

quinta-feira, setembro 10, 2009

olhar

sempre há um olhar disposto a ser encontrado pela rua. e se procure ao redor dele, ao redor de mim. ande com firmeza e com cuidado. porque o medo certas vezes alimenta a segurança. mas o que importa mais? segurança ou vida? hoje não estou nos melhores dias. calor e barulho angustiantes. quando se der conta vai perceber que está no lugar errado. porque a porta certa é a minha... quando não precisa bater ou esperar porque não tenho sonho e as noites claras demais me lembram você.
[certas 'coisas', afinal, me parecem irrecuperáveis. fica agora pelo menos a consciência do dever de deixar as 'coisas' passarem. quando estão sozinhos, sinto os sentimentos como 'coisas' inertes, que atrapalham o caminho, que te fazem cair. não que as pessoas se tornem assim, mas até que passe prefiro ficar longe. talvez nunca passe. talvez não precise vê-los mais]
porque ficar sozinha em casa alimenta paranóias. casa de muro baixo; portas, janelas e pisos escuros. deixando a luz e a tv ligadas como companhia. o silêncio ao mesmo tempo que acalma força a solidão a se mostrar. a música ao fundo traz o diálogo necessário. partes de histórias minhas presas em faces de folhas e cadernos dispersos. se quer pôr ondem, desista. a vida só vale desordenada.
[me reservo o direito às contradições]