terça-feira, julho 19, 2011

tempo

não sei o que acontece com o tempo. muito menos o que acontece comigo. parece que eu e o tempo vamos nos confundindo, os sentimentos vão se misturando. aprendo a observar cada um dos detalhes alheios: do sorriso ao olhar, meu e do tempo. uma esperança vai se enquadrando e preenchendo. tornando algumas vontades mais fortes e de tanto querer, de tanto lembrar as coisas vão se diluindo, apagando... traçando um rascunho, uma linha cada vez mais leve e clara, que forma um circulo em torno deles. pronto! agora por conta de mim e do tempo já nem sei mais o que foi ontem, o que foi hoje. repito essa observação, que tenta ser profunda, dos detalhes alheios, do sorriso ao olhar. somos muito diferentes. não preciso de muito pra perceber isso. as imagens dos sorrisos e esse brilho constante no olhar, passam impressões distorcidas, vejo tudo aquilo que não é. somos, definitivamente, diferentes e talvez, pro mundo inteiro devamos ficar longe. fico atenta nas suas escolhas, esperando... junto com o tempo que espero que aprenda a curar e apagar tudo aquilo que não é.

: cigarra e borboleta.

segunda-feira, julho 18, 2011

alguns sonhos te confundem e, ao mesmo tempo, te entregam. eles gritam aqueles desejos que, por algum motivo, você acha que não deve ter. afinal, qual é a nossa maior "obrigação"? acredito que seja ir atrás da felicidade, ou das sensações de felicidade que os dias nos permitem ter. e elas podem estar relacionadas a tantas coisas... a impressão que eu tenho é que tenho me rodeado de vários limites. de coisas que posso ou não fazer, que posso ou não falar. já cresci o suficiente para perceber que não adianta tentar "parecer" alguma coisa. ou tentar "camuflar" algum sentimento, realizável ou não.  ok. vem o mundo, e uma multidão de pessoas, que mal te conhecem e acham que podem dar "conselhos", "lições"... sobre o que é certo fazer. 

os encontros, cheios de expectativas rasas, cheios de impressões que podem ser falsas, de uma vida paralela, de uma historia que insiste em se construir na minha cabeça. e insiste mais ainda em ficar guardada aqui. já abri pro mundo. já deixei esses conflitos expostos. já me enchi de precauções de coisas das quais já não tenho, nem quero ter, controle.

não se deve tentar controlar algumas coisas. nenhum dos desejos ou sentimentos devem ser presos, quanto mais guarda mais vulnerável fica enquanto tenta manter um segredo confuso. uma impressão, um olhar e um sorriso cuidadosos, uma vida que tenta manter a aparência da calma. a tranquilidade sufoca e você vai antecipando frustrações. o risco me parece uma alternativa melhor.

talvez a hora de partir pra ele já tenha chegado.

quinta-feira, julho 14, 2011

o tempo cura, apaga?

[...]

espero que sim...

terça-feira, julho 12, 2011



Em algum momento do dia você pára pra pensar na vida, nas escolhas, nos erros... nas situações precipitadas em que tem se colocado. Fica tentando voltar, não por arrependimento, mas por vontade de saber como as coisas poderiam ter sido diferentes. Pesa uma culpa nos ombros, que racionalmente não acho que deva ser minha. Mas como posso me livrar de um sentimento que preencheu esses dias de um jeito tão forte? Tenho medo das lembranças, da ausência delas, do que posso ter falado ou ouvido. Do que posso ter deixado transparecer.

algumas coisas acontecem rápido. quando você vê já foi mais uma vez um livro aberto. já se colocou naquele limite entre a força que acha que tem e a fragilidade exposta pelo que fala. nem todas as historias devem durar. acontecimentos de um dia podem ter uma força imensa, uma intensidade que chega a doer no dia seguinte. ainda assim não mudaria nada. repetiria cada minuto, palavra... cada reação e sorriso que deixou o rosto expressar. ainda que a experiência efêmera lhe dê a sensação de solidão, saudade, abandono... ela fica guardada nas memórias, nas lembranças. a vida também vai se construindo assim. você pensa, fala, escreve, sonha em torno de algumas experiências. não que eu ache isso saudável, mas alguns momentos sozinha com as minhas histórias vividas, inventadas, imaginadas, sonhadas... torna o dia melhor. a vontade de viver e escrever sobre algumas experiências da vida traz esses sorrisos abertos, sinceros dos dias em que me deixo ficar só. 

segunda-feira, julho 04, 2011

se

o "se" paralisa. quantas ponderações fazemos antes de tomar qualquer atitude... quantos medos continuam barrando algumas sinceridades... nessa hora talvez não deva me arrepender de algumas precipitações, afinal, de alguma forma era o que eu sentia, queria, pensava... pelo menos naquele momento. tá certo que nem todas nossas decisões esbarram nessa discussão de arrependimentos. quando deixo o medo e alguma culpa me ocupar deve haver algum problema. não um arrependimento necessariamente, só um "se" eu tivesse tido mais calma, "se" eu tivesse ido embora antes, "se" eu tivesse optado por não viver algumas boas experiências efêmeras, se eu não tivesse falado tudo o que eu pensava naquela hora, se não tivesse "explodido" com o mundo que abre os braços pra mim em alguns momentos.

por fim, "se" eu tivesse sido diferente. seria outra pessoa. não a que sente e que confia e vive esses momentos raros de conversas longas, aquelas em que você se deixa vulnerável e frágil ao mesmo tempo em que faz o possível para não perceberem essa fragilidade. pela transparência das experiências que teve na vida, de certa forma, tenta se mostrar forte. e capaz de superar coisas, sentimentos, pessoas, medos... capaz de ir vivendo tranquilamente a vida como se sua cabeça não latejasse de dúvidas, de incoerências. de algumas paixões, inclusive. 

acontece que em algum momento você se perde dentro de si mesma. não sei por que caminho andei nos últimos dias mas parece que esqueci o caminho de volta para a pessoa que andava vivendo no meu corpo nos últimos meses. era outra. era um pouco de calma, tranquilidade e confiança. era uma segurança estranha que nunca tinha sentido antes. estava sendo forte, tanto que já nem me reconhecia. 

deu um mergulho de volta à uma "vida" anterior, um momento que não me identificava mais. atitudes que havia lentamente escondido embaixo de algum móvel invisivel de mim. embaixo da superficie. sendo sugado todos os dias por algumas obrigações estranhas de ser uma pessoa diferente, aquela mesma mais calma, mais forte, mais tranquila, confiante... de fato, não sei o que fiz? não sei o que aconteceu? nem imagino. 

guardei o mundo e as historias na minha memória confusa. inventei uma pessoa. reescrevi algumas lembranças. fui diferente do que queria ser. ainda que de uma forma tão natural. me deixei de lado outra vez. por menos tempo do que antes. mas o suficiente pra ter medo de não conseguir voltar. o caminho é o que você escolhe. agora tenho que decidir a direção, as companhias (ou não), as músicas, os livros e seguir em direção ao meu primeiro horizonte.

terça-feira, junho 21, 2011

De volta pra casa ouvi um sussurro pelo caminho, de saudade, de amor. Daquele que falta... mas que, de certa forma, se faz mais presente que os dispersos ao meu lado. Somos parte de outras pessoas, não vou ficar me questionando sobre isso, somos. Todas as pessoas deixam um pouco nesse comportamento estranho, as vezes incompleto, cheio de incoerências e precipitações que temos diariamente. As vezes você chora sem muito sentido. Sente coisas sem muito sentido, na verdade, acho que as vezes criamos alguns sentimentos.


Quase como uma mentira bem construída, propagada sob diversos pontos de vista, discutida... dessa forma esses sentimentos inventados quase tornam-se verdadeiros, ao ponto de doer. De parecer forte, resistente, alimentado pela ausência de sinceridade que se habituou a ter. boa parte deles foram todos assim. Foram construídos, lentamente, de onde não havia nada, cria-se um amor desesperado e incompleto... como todas as construções inadequadas, como todas as mentiras. Você acredita até o ponto de achar a verdade questionável.


Mas é verdade que eu sinto falta. Sinto falta da cumplicidade de ter a vida exposta sem preocupações. Sinto falta de quem diz acreditar tanto que quase te convence, sinto falta de ser cuidada como uma menina perdida e dependente. Sinto falta de poder me deixar vulnerável sem ter medo.


O tempo tem passado rápido. E inútil. Tem deixado todas as coisas inconclusas, confusas, estranhas, amargas, duras, e, principalmente, solitárias. Você aprende a descansar os olhos no chão. Aprende a conversar consigo mesma. Aprende a reconhecer o reflexo interior, aquele que o espelho não mostra, aquele guardado e lapidado diariamente, até que possa ser exposto.


O reflexo desses sentimentos criados que fazem os dias se arrastarem. Que sugam o sorriso e o brilho dos olhos. Aquele que machuca. Aquele que não existe, além dessa porta que guarda o que mais importa em você.

segunda-feira, junho 13, 2011

simplesmente

Sabe o que eu senti? Claro que não. As pessoas tem o hábito de ocupar-se em outras coisas quando os sentimentos fortes passam por elas. Sejam quais forem. No momento raro em que a reciprocidade completa acontece elas são felizes, quando não, se enchem de medos, inseguranças, superstições, angustias, cuidados, exageros... os maiores exageros possíveis.

Deixa o corpo transparecer as coisas que mais tenta esconder, deixa o sorriso expresso no rosto enquanto olha pra alguém, deixa os olhos brilharem, deixa o corpo contraído e quase vê o coração pular de dentro do peito, fazendo um som alto que todos devem ouvir.

Alguém olhou para aquele mundo dentro dela. Alguém percebeu. É o que quer. Que perceba, que se afaste, que acalme os seus dias estando o mais longe possível. Preciso da coragem alheia, porque eu aqui, sozinha, vou procurar sem querer ser procurada. Vou atrás tentando fugir. Encontrando passatempos diários, prazeres sigilosos, meio proibidos. Na conversa tranquila solto umas lágrimas pelo canto do olho. Deixo-a visível. Com o sonho cuidado, tão cuidado que não deve ser além disso.

Guardou toda a ingenuidade de momentos anteriores. A vida é uma só. Decidiu sugá-la, vivê-la sem seus medos. Para com esse cuidado de fingir que não sente. Para. Simplesmente. Deixa o corpo seguir o caminho só, sem pensar, deixando viver os desejos que esconde.

encontros

quando as pessoas se encontram eles nem sempre precisam falar. basta que se olhem. o olhar vai construindo  a conversa aos poucos. eles brilham... quando se percebem diante um do outro. conversam pelo discurso não anunciado. aquele preenchido pelo toque acidental. pelo constrangimento de perceberem-se perto. a felicidade pode estar nesse encontro subliminar...naquele que ainda não aconteceu. no jeito calmo de levar a vida que paralisa outra. a lembrança sorri. pela imaginação dela, dele, dos dois... estranhos que esbarram em alguns dias. somos paranóicos com os sorrisos dos outros, como se fossem mais importantes que os nossos. ela torce pelos sonhos estranhos daquele que quer, por mais que mantenham longe. sorri sozinha entre quatro paredes. eles sentam um ao lado do outro na areia da praia. o sentimento mais forte silencia. não conseguem falar. não se tocam. não se olham. a presença guarda a perfeição do quadro construído em imaginações aleatórias. naquelas de toda noite.

segunda-feira, maio 30, 2011

viagens

Estar em uma cidade estranha tem seu lado positivo, você se sente passageira dos lugares, das pessoas... deixando o ar, o clima infiltrar-se no corpo e nos sentimentos tão frágeis que a vida constrói. Você olha pros lados ainda com a sensação de que vai encontrar um rosto familiar, e quando se dá conta da quase total impossibilidade disso, sorri sozinha e lembra onde está. O café chega, o cigarro acaba. Abre um livro que escolheu cuidadosamente para aquele momento. Encontra as palavras precisas para enfrentar o dia solitário e leve de um viajante. É bom estar sozinha... é bom deixar-se à mercê das possibilidades, do destino, das surpresas de coisas mal planejadas. Fora o livro, o café escolhido previamente fica ali esperando que as coisas aconteçam sozinhas, que alguém esbarre em você e sorria, que iniciem conversas, que ao dobrar a rua encontre o lugar que mais te emociona... se deixa na tentativa de se encontrar. Deixa o corpo escorregar pelas ruelas, deixa os olhares cruzarem, em uma tarde sorri mais que em todos os seus momentos mais felizes. Estar sozinha dá tranqüilidade,  leveza... esquece do tempo, dos fantasmas guardados em uma caixa que só deve ser aberta no retorno. Tudo se desprende de você para deixar o corpo e a alma livres para aqueles breves dias. Tem a esperança das experiências alheias, dos filmes, dos livros, das músicas que sai cantarolando sozinha enquanto anda pela cidade. Mal importa o que pensam, o que vêem, a liberdade se apropria tanto que o corpo reage naturalmente. A partir daí qualquer coisa pode acontecer. 

obs. hora de pensar em uma viagem! 

sexta-feira, maio 20, 2011

a banda mais bonita da cidade



Já circulou por diversos espaços virtuais com a grande maioria de impressões positivas. E na minha humilde opinião, merecidamente. É a leveza que encanta, é a imagem do vídeo (sem avaliações cinematográficas da minha parte).  É também uma certa felicidade que vai caminhando pela casa. É o “bom dia” de várias pessoas sendo compartilhado pelas redes sociais. Mais um ganho. Sem exageros, nem tudo precisa de rodeios e exageros para ser bom, para ser simplesmente bonito. Trouxe uma delicadeza rara para esses últimos dois dias. Trouxe  pra mim. 

Parafraseando um certo Chico: 

“Bom dia, alegria
A minha companhia
Vai cantar
Sutil melodia
Pra te acordar”

Que os dias sejam leves, delicados e felizes.
deixei o rosto sorrir escancaradamente essa manhã. aquele sorriso de quem abre os olhos e ao mesmo tempo alimenta esperanças. não aquelas esperanças infundadas, mas uma daquelas que te preenchem, que te fazem acreditar e no caminho de pedras encontrar as flores e as companhias que tornam tudo possível. as mãos juntas podem construir e transformar o mundo.

sem nostalgias. basta abrir os olhos.

segunda-feira, maio 16, 2011

como um sentimento pode se enraizar à esse ponto? ele transborda em alguns dias. ele me deixa à mostra, vulnerável... sem chão. como se o tempo fosse só aquele, aquele momento rápido em que eu posso olhar e querer ficar por perto. até quando isso vai ser suficiente? como se constroem histórias novas em cima de coisas que ainda não conseguiu resolver? deixo ele guardado, ali escondido e forte e preso. e quando a liberdade força os olhares, os sorrisos, os abraços... quase doí mais. soa estranho até pra mim alimentar isso. essas sensações. essas vontades que trafegam livremente à vista de todos. chega a ser inaceitável que algo possa durar tanto... você se sente sem a capacidade de dar um rumo às coisas.

sexta-feira, maio 13, 2011




Já É Tarde  

Já é tarde, vou me embora
Antes que eu perca a cabeça
E desista da demora em te esperar
A vontade só aumenta
Mas eu sou discreta

Pero yo no sé hasta cuando pueda vuelta
Eu tenho bons motivos pra me segurar
Porque es el conquistador
Mais fácil me perder do que te achar
O meu desejo sempre foi contracenar
Um longo filme de amor

Mas não vou legendar o seu olhar
Focado em mim direto assim
Eu vivo longe daqui mas
E tenho no meu coração
Se algo acontecer
Será tão bom

Eu vivo longe daqui mas
E tenho no meu coração
Se algo acontecer
Será tão bom
Eu tenho bons motivos pra me resguardar
Estou tão certa de você

Mais fácil me perder do que te achar
O meu desejo sempre foi contracenar
Um longo filme de amor
Mas não vou legendar o seu olhar
Focado em mim direto assim 

=)

segunda-feira, maio 02, 2011

...

a "beleza" sustenta a vida. não a beleza óbvia, não a do primeiro olhar. a beleza descoberta no cotidiano, aquela da observação minuciosa. quando passa a perceber as reações invisiveis, os sons do ambiente, o movimento das folhas. aí o mundo começa a conversar com você. 

segunda-feira, março 14, 2011

saudade

me impressiona a facilidade que algumas pessoas têm com despedidas. me impressiona o jeito como as pessoas seguem em frente de um jeito normal. me impressiona o olhar delas não deixar explicito a falta que sentem, o sorriso delas continuar igual, me impressiona a vida manter-se do mesmo jeito pra quem fica no mesmo lugar. deve ser mais fácil ser a pessoa que vai embora, ser a pessoa que vai pra um lugar diferente, viver outras coisas, conhecer outras pessoas. e quem fica? a mudança é a ausência. e não consegue ver um jeito de fazer a ausência não doer. parece que foi uma parte de mim que me tiraram. 

você conhece algumas pessoas e nem pode imaginar o quanto elas podem se tornar importantes, o quanto você pode amar de um jeito incondicional. aquele amor bom de se receber de volta. algumas amizades definitivamente são os maiores amores da vida, aqueles insubistituiveis. aqueles de sonhos e planos que tentam se construir juntos ainda que nem sempre seja possível. eu deixei umas lágrimas cairem, não o suficiente para olhar pra cidade em que permaneço sem lembrar de todos os dias lindos compartilhados. sem lembrar de todas as conversas, de toda a confiança, de poder abraçar, de poder ver a qualquer hora, de poder ir ao cinema ou beber em um dos bares comuns da cidade. 

doí. e não tem como não doer em mim. se é pra sentir todas as coisas do jeito mais forte. é a despedida de um amigo que doí mais. é a falta e a saudade que preenchem o dia de hoje. a dificuldade de dormir como se eu também fosse embarcar pra uma vida diferente. 

nos veremos em breve. eu sei. mas as cores do mundo mudaram um pouco. não sei como o sol decidiu se mostrar hoje. não faz sentido. a luz volta em abril quando vou poder abraçar outra vez. 

"de todas as coisas eu espero que você permaneça"

segunda-feira, janeiro 31, 2011

vontades

fase de encontros talvez. de cuidados excessivos. de lembranças boas. de passagem. aqueles momentos em que você começa a pensar mais nas pessoas, as vezes em uma pessoa só. e não deveria. sem os excessos comuns da vida. sem se jogar. pisando de leve com medo de cair, de afundar, de fazer qualquer coisa que me coloque na beira de um abismo... com alguns medos. de sentir demais, demonstrar ou falar demais. algumas pessoas voltaram a preencher meus momentos de ócio e alguns poucos lúcidos. não deveria. os momentos passam, talvez não seja hora de resgatar esses sentimentos de anos atrás, nem de alimentar esses novos que surgem em momentos e talvez por pessoas inapropriadas. são alguns pensamentos que vagam pela minha cabeça, que ficam alimentando meus dias e noites. sem sentido algum, com certeza. não sou das pessoas mais fortes. nem das mais fracas, fico em um ponto equilibrado irritante algumas vezes. como estou agora. querendo coisas, pensando muito, planejando demais... até quando as histórias que eu sonho vão ficar no papel? minha vontade é arrumar uma mochila e sair por algumas cidades do mundo, rever pessoas, conhecer pessoas... deixar o vento e as surpresas da vida me levarem a qualquer lugar. tenho tempo. aquele que mais tarde pode me faltar. agora. não que eu ache que deva viver como se fosse meu último dia, não que eu queria largar tudo e fazer tentativas aleatórias. dessas infinitas coisas que eu quero fazer e viver quantas serão possíveis? talvez são seja bom ficar me perguntando isso. mas quando se pára e pensa já fica meio tarde pra voltar. quero viver o máximo possível esses sonhos e desejos guardados. quero alimentar de alguma forma essas boas sensações de alguns encontros, quero deixar que se esgotem naturalmente, sem estratégias ou ações prematuras... quero. esse é o ponto chave de tudo. o desejo. a vontade. a paixão. e elas existem para serem realizadas, mesmo presas dentro de mim.

quarta-feira, janeiro 26, 2011

fala-se de revolução solar... esses encerramentos e começos de ciclos. diz-se. crer quem quer. mas é um jeito bom de começar o ano. tá certo que eu (apesar da chuva) preferia um dia nublado, um frio entrando pela janela, inflando um pouco de nostalgia do peito, lembrando de coisas que não voltam mais. talvez fosse melhor ficar planejando e pensando em coisas futuras. todas as pessoas falam de presente, de hoje, só por hoje... mas quem consegue realmente pensar e agir assim? eu não. fico alimentando essas lembranças, memórias, fico imaginando essas suposições de dias que ainda vão vir. fico. parada diante de algumas folhas, de alguns livros.. tentando lembrar, viver e imaginar simultaneamente. como se fosse possível. não me falaram quais sensações antecedem e acompanham todo esse dia. nos últimos anos não tem sido das melhores....

terça-feira, janeiro 11, 2011

terça-feira, janeiro 04, 2011

mudança

seriamos idênticos se fosse necessário. conseguiria estabelecer padrões de gostos, de características... para ser semelhante. só se atura um semelhante. será? talvez talvez. daí olha pro lados e procura uma reles semelhança entre as pessoas com quem convive. não encontra nada. talvez uma ou outra música. um ou outro livro. nada que pareça suficiente. se é que é possível chegar a essa suficiência. como esses ditados clichês: "a grama do vizinho é sempre mais verde". definitivamente. as vidas parecem melhores, mais calmas (se é que eu quero calma). mais fáceis (se é que as confusões humanas permitem). mais felizes (se é que há algum significado real na palavra). pode soar melancólico demais, mas não me vejo mais rodeada de tantas pessoas. talvez esse seja o principal problema, esse desejo de estar rodeada de psedo amigos. não que todas as pessoas que me rodeiam não sejam boas (ainda que tenha certeza que não são). mas é impossível travar com todos relacionamentos tão profundos ao ponto de realmente poder contar e ligar e procurar a qualquer hora do dia ou da noite. de quantas pessoas já devo ter ouvido isso. pra quantas pessoas já devo ter falado isso. seriamos mais justos com os outros e com nós mesmos, quando estabelecemos essa linha divisória que as diferenças colocam. isso não implica em tratarmos mal um ao outro. isso não implica em desejarmos coisas boas somente para essas poucas pessoas que queremos perto. só é uma tentativa de tornar as relações menos traumáticas. só tenta-se diminuir a dose de dores que todas as separações (sejam elas quais forem) trazem. o dificil de tudo é tornar isso compreensivel, aceitável... de um modo que não se sintam magoados. 

o mundo também é feito de um emaranhado de relações que precisam se manter equilibradas. afinal, existe de fato "amigos pra sempre"? claro. talvez não do modo como esperamos que seja. as pessoas se distanciam, amadurecem de modos diferentes, consolidam gostos diferentes. sonham diferentes. partem. voltam. trabalham (ou não), estudam (ou não), casam (ou não). vivem de modos diversos. e quando nos damos conta os números que sabíamos de cor, somem. o nome que erra corriqueiro, falha na memória. as lembranças dissipam. isso não é trágico, nem vingativo, ou uma manifestação de qualquer tipo de raiva. demorei pra compreender. 

não se trata de uma evolução ou não. é somente mudança. talvez a única coisa que realmente nos acompanhe durante toda  a vida. mudamos. a cada dia. transformações simples, complexas. que evidentemente nos transformam. nos levam  a outros lugares...a outras pessoas.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

ligação

um pouco de tempo. e as coisas fingem passar. mas voltam de um modo absurdamente exagerado. enquanto fala ao telefone, enquanto lembra. vai pensando no quanto essas memórias foram boas de ser construídas. é estranho como se gosta das pessoas. como se começa. como se mantêm. conheci algumas pela vida, talvez numa quantidade maior no último ano, de janeiro pra cá, de uma mudança pra cá, de um rompimento pra cá. rompimento não tão explicito, sem o ódio, a repugnância necessária pra esquecer. foi ficando. fica. está. claro que de um modo diferente, mais claro, mais longe, mais aceitável. mas está. é bom pensar nas pessoas. imaginar as situações. sonhar um pouco. mais acordada claro. desejando. hoje, a voz foi mais calma. o falar pareceu mais sincero, mais calmo, sem cobrança, sem nenhum desejo aburso demais. só queria ouvir. só queria o tempo. só queria ficar mais instantes nesse fio. nessa conversa. nesse jeito de gostar. diferente, sim. mas que continua. não é mais tão extremo, tão exagerado. a vida, de vez em quando, só de vez em quando aprende a ser calma.
tem um canto lento, leve, baixo. fica visualizando e criando contos. uma casa pequena. portas, janelas e paredes coloridas.

sentimentos

deixei boa parte dos meus sentimentos em um desses lugares por onde andei. os dias não foram bons, não foram esperados, daquelas surpresas que você prefere não ter. não que tenha deixado um pouco de mim por lá. voltei inteira. só perdi essa capacidade que, pelo menos, achava que tinha. não acho que vá sentir igual. não acho que vá querer igual. mais nada. os dias passaram devagar demais. e não me livrei dessa melancolia desnescesária. nem acho que vá me livrar. quero que as pessoas fiquem longe. por um tempo. quero voltar a me conhecer e acreditar que mereço alguma coisa. já nem importa o que é. que venha algum desses sentimentos que deixei o tempo roubar. se eles forem bons ou ruins, já nem sei se importa. por enquanto os perdi todos. momentaneamente espero. mas passa alguns dias já nessa sensação incomôda. nesse medo que as coisas não mudem. não passem. já nem sei se sinto falta. já nem sei se quero perto. algumas pessoas deveriam, mais que merecem, ser apagadas da vida, da memória, dos sentimentos (sejam eles quais forem). 
quero começar. alguma coisa que não sei o que é. quero ficar quieta e sozinha. quero me reconstruir... sem nenhuma das antigas partes. sem nenhuma das antigas pessoas. com toda a ausência, com todo o desejo. com o medo absoluto de que as coisas não voltem ao normal. quando você começa a ver as pessoas, em sua plenitude, quando você perde a ingenuidade que os sentimentos lhe dão, quando você esquece, parece que tudo perde um pouco do sentido. como é que se faz para acreditar outra vez?

segunda-feira, dezembro 27, 2010

a espera

Arrepende-se. Não sabe bem de que. Mas, arrepende-se. Das coisas não ditas, do que falou. Das lágrimas, dos desabafos. Da fé que voltou a ter nas mudanças de alguém. Será que uma conversa tem uma força tão grande assim pra mudar comportamentos. Não sei. Espero que sim. Espero que as coisas sejam diferentes. Como sempre esperei. Espero ter dado a chance na hora certa. Espero que as boas semelhanças aflorem esses sentimentos bons de querer perto e de se deixar mudar. Por um tempo prolongado. Não somente pelos dias seguintes.

Acredita. Não sabe bem em que. Mas, acredita. Acredita nas palavras, nas lágrimas, nos sentimentos anunciados. Volta a acreditar que pode perdoar. Que pode voltar atrás, pra deixar um recomeço que está por vir. Espera. 
Espera. Cansada na porta de um prédio no qual nunca entrou, diante de prateleiras alheias de livros que quer ler. De discos que quer ouvir. Que lhe alimentam de lembranças, de futuras memórias. De coisas que ainda podem acontecer. Do desejo de aproveitar o tempo perdido. Espera. Mais uma vez. Espera. Deitada na cama de casa, odiando cada ligação não atendida e cada minuto além da hora marcada. 

Aprendeu a esperar. Se deixou enganar pela fé e por alguma esperança de que as pessoas podem gostar ou precisar dela. Enquanto isso. Mancha o travesseiro outra vez. Caem umas gotas salgadas. Sente. Sente cada um dos dias que perdeu. Cada uma das manhãs e tardes e noites em que se limitou a esperar. 

Volta a esperar. Com fé. Com amor. Com raiva, em menos de uma hora, todos os sentimentos se camuflam no sorriso que mostra ao sair. Não sorri por dentro. Não sorriu. Não sonhou mais. Deixou o corpo esperando. Como sempre.

caio f.

"Me entende, eu não quis, eu não quero, eu sofro, eu tenho medo, me dá a tua mão, entende, por favor. Eu tenho medo, merda!Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fos...se e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas.Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei. Apronto agora os meus pés na estrada. Ponho-me a caminhar sob sol e vento. Vou ali ser feliz e já volto".
(caio fernando abreu)

quinta-feira, dezembro 16, 2010

[...]

traz a saudade pra perto. foi daquelas pessoas em que a falta às vezes significava mais que a presença. olhava nos olhos sim, mais que nos olhos do corpo. a alice que atravessou o espelho e esqueceu de voltar. gruda o corpo na porta de casa, tenta saltar da janela, consagra esses sentimentos estúpidos que a fazem correr mais rápido sem saber pra onde. esbarra em portas de vidro, atravessa paredes do quarto e fica flanando por entre seres estranhos que comungam de suas compulsões e vícios. não procura suas qualidades nos outros, valoriza os defeitos. absorve toda a insubordinação, toda a impulsividade, imaturidade seja o que for. de um segundo a outro transforma essa sensação estranha e restaura uma vida comum e cotidiana demais. 

sexta-feira, dezembro 10, 2010

caio f.

comecei a ler "para sempre teu, caio f.", sobre o escritor caio fernando abreu. tenho praticamente uma obsessão por biografias. uma leitura que corroí os sentimentos que ainda tenho, tenho vontade de conhecê-los, de imaginá-los, as vezes de ser como eles. quando não encontro tantas semelhanças, que quase imagino conversas e trocas, de cartas, sonhos...

ele me deixou assim. cheia dessa melancolia que não se guarda. me perguntando se alguma amizade, hoje, resiste à troca de cartas e sinceridade. tendo na escrita a maior paixão, o maior alivio e a maior angústia. a companheira que vai me sugando e alimentando ao mesmo tempo. não gosto de escrever, eu preciso. 

se guardar ou afogar a minha entre as linhas é suficiente eu descubro depois.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

histórias

guarda uma história no quarto. deixa as palavras vagando por lá. sonha com elas. infinitas frações de histórias. ainda não concluiu nenhuma. vai sentindo quase todas elas pairando sobre si enquanto dorme. diversas fontes, diversos sentimentos, diversos... sente o som das palavras vibrando ao pé do ouvido. se alimenta delas. quer torná-las personagens. aqueles todos que se assemelham a ela. vaga entre portas de pessoas estranhas, talvez um dia conheça uma delas em um café, partilhem o silêncio e guardem na memória uns olhares trocados, reciprocos... e uma, duas horas depois um sai pela porta e deixa um sorriso largado ao vento, de despedida. pode acreditar que o "destino" vai colocá-los de novo no mesmo lugar, que pode anotar o nome, endereço, telefone em uma página aleatória de um livro e ir embora deixando uma esperança meio solta de partilhar aquele silêncio outra vez, como naqueles filmes que até lhe fazem acreditar que as coincidências realmente tem algum sentido. pode tantas coisas. ali, parece que as imaginações viram lembranças, que as situações que cria foram realmente vividas. confunde os medos reais com o que pairam durante o sono. acorda num sobressalto. num susto de um lugar estranho, como se não reconhesse mais a pessoa que é, que foi... como se alguém pudesse mudar tão bruscamente, como se os sonhos alimentassem mais que a vida cheia de encontros, medos, paranoias, fases, ciclos. o que preenche esse espaço de tempo em que a gente vive afinal? será que é possível encontrar respostas tão coerentes e definitivas? 

[não]


percebeu outro dia que os sentimentos mudaram. que ela mudou. mais um personagem de passagem. buscando uma saída pra encontrar uma porta ou uma janela nova. cheia de vontades, de recomeços, de uma luz estranha que tem bastado. os tempos largados divagando sobre aquele futuro que é, necesariamente, incerto. melhor que seja. cansou das certezas. da vida prática. vai indo pelos caminhos dificeis, deixando algumas pessoas pelo caminho, talvez. você muda, ela muda. quando se dá conta, já nem lembra de quem tanto gosta. ficam lembranças... ficam. não sei se saudade. mas a lembrança ninguém pode lhe tirar. 

se é pra se dar conta de que o tempo passa, melhor começar a viver. perseguindo aquelas coisas que lhe deixam um sorriso involuntário no rosto. que deixa escorrer uma lágrima. aqueles que emocionam sem falar. 

[a essa hora, melhor deixar o copo e o cinzeiro de lado um pouco e começar a dormir. a noite é cheia de palavras que pairam]

ciclos

fechando um ciclo, acho. encontrando e reencontrando algumas pessoas. fortalecendo certos laços. aprendendo, no minimo tentando aprender. cheia de coisas e percepções a serem avaliadas, vontade de ler, ver e ouvir milhões de livros, filmes e músicas. será que o tempo se altera depois dessa "fase"? vou descobrindo, de certa forma, um caminho novo. e sem a menor ideia de onde se pode chegar por ele. 

segunda-feira, novembro 22, 2010

vícios

esqueci dos dias mais calmos. vivendo assim. voltei a lembrar que um cigarro atrás do outro [não que faça bem!] acalma. que o café me mantêm mais tempo acordada. será? a vida saudável fica pra mais tarde. por enquanto os planos, as metas, a necessidade de concretizar as coisas não me mantêm calma o suficiente sem os vícios diários sendo alimentados. o sono que não permite descansar, as noites mal dormidas, a dor nas mãos do frio de uma sala fechada no ar-condionado o dia inteiro, de escrever quase mais do que falo, mesmo sem organizar tanto, mesmo sem concluir o que é necessário. tem tempo? tem que ter. no final de um processo. que não tem sido dos mais fáceis. nem dos mais curtos. que ânsia de terminar não o deixe "inacabado", entre aspas porque nada assim pode estar de fato concluído. aprendendo com alguns erros, submetendo-me às criticas, ainda sem estar preparada pra isso. será que alguém realmente está pronto para reavaliar, os trabalhos, as folhas preenchidas, a vida? no desejo de uma conclusão acertada.

terça-feira, outubro 26, 2010

dias estranhos

em dias estranhos. minimos. tentando fazer as coisas pequenas, tentando começar a organizar a vida, os papeis, os sentimentos de alguma forma. por mais que possa demorar. dia de primeiro passo e esperança que os outros passos venham depois. cansada de um pouco de tudo. das reformas que atrapalham o cotidiano da casa, dos textos que não consigo escrever, das entrevistas atrasadas. de não saber o que falar, o que fazer. estou imune a esses comportamentos precipitados. será? quero uma conversa aleatória, um desconhecido pela rua que parece pensar ou ser ou gostar das mesmas coisas que eu. possível? no sonho, na esperança... talvez seja hora de voltar a ver aqueles filmes, ouvir aquelas músicas, bonitinhas, bobas, que fazem você acreditar nas coisas bonitas, nos sentimentos bons, na possibilidade de encontrar o amor da vida em um esbarrão acidental. 

o bom é saber que, definitivamente, isso nunca aconteceu. 
não perdeu um amor por aí. só não encontrou.

quinta-feira, setembro 23, 2010

superação

superação. com a clareza que não significa esquecer. 

é, claro que tem uma sensação boa de ver e não importar mais. de encontrar e não precisar fica lá do lado, esperando as reações, as atenções, que, em algum momento, foram desejadas. sensação boa de não precisar ter perto, de não precisar ouvir a voz. o desejo não é superior à essa necessidade que até pra mim sempre pareceu absurda e extrema demais. se falam e pensam qualquer coisa já nem importa. qualquer das pessoas que podem ou que eu imagino fazendo esse tipo de coisa não importam mais. 

estou no ápice de uma liberdade que não me prende. qualquer das coisas, possibilidades... pode acontecer. o passo certo é reagir sem a necessidade. se ficou um pouco de desejo, não se pode fazer nada. não imagine que é unanimidade. por mim não.

terça-feira, setembro 21, 2010

outra vez

alimenta outra vez...

deixa os olhos se encontrarem. as mãos juntarem novamente sem querer [...] quando fica parada no alto de um prédio observando a cidade as coisas parecem menores, os sentimentos parecem mais fáceis. a impressão que eu tenho é que as coisas a partir daqui vão acontecer como têm que acontecer. natural. tranquila. leve. destoante do pulso que bate cada vez mais acelerado. a essa hora as distâncias se aproximam. a essa hora o coração grita alto. chama alto. como podem as pessoas? como ousam as pessoas? imersas no silêncio e no vazio de quem finge compreender. de quem percebe com calma, mais do que é realmente necessária, esse meu limite que não nutre a superação. quer passar por cima de tudo. quando pretendia tentar novos começos, quando se aproximava de novas pessoas... quando deixava a saudade esquecida em um canto da casa, do quarto, da vida... o corpo volta a suar frio. as conversas ficam mais nervosas. o sorriso fica exposto por ver. 

chega o momento do ponto final. quando olha pro lado. quando perde a voz. quando as palavras não completam frase alguma. quando o sonho dispersa. quando desfoca as imagens e as letras. deixa a ansiedade tomar conta. escolhe o lugar. pára e deixa o corpo e o coração ficar.

segunda-feira, setembro 20, 2010

encontros

quando passa. soa uma brisa leve ao pé do ouvido. reencontra memórias tão boas que doem de alguma forma. por ser pura lembrança, por ser o que passa. andando devagar ao lado, as mãos juntas. ainda. nesse tempo que anda mais devagar, nesses dias que lapidam essas sensações falsas de proximidade e um gostar alheio. aquele que se apresenta como amigo. aquele que se preocupa como amigo. ou não? ou é pura impressão que qualquer resquicio bom de sentimento ainda reste. ela, da calma parte para uma ansiedade. uma combustão. um caos. dentro dos limites de paredes já reconhecidamente próximas da história que ousa lembrar. é da leveza que sente falta. é do cuidado que quer fugir. guarda uma parte daquilo tudo, queima e deixa o vento levar e dispersar pro mais longe. só daqui resta alguma coisa. só daqui sente alguma coisa. 

não quero que encontre. não quero que guarde. basta o tempo gasto, o sentimento disperso, a doentia sensação que, de tudo, alguma coisa ficou. 

se encontrar. esqueça cada palavra, cada ato, cada sentimento. deixa diluir por aqui o que já não faz bem.

desse lado, só posso tentar.

quinta-feira, setembro 16, 2010

guarda as contradições para si.

sexta-feira, setembro 10, 2010

procura

procura o comum. a semelhença. a identidade. olha nos olhos, nos poros e procura se reconhecer. se perceber como um. não estou procurando um encontro que marque a vida, não agora. a felicidade se dispersou por outros caminhos. e está cada vez mais perto de onde estou. vai seguindo. na lentidão do cansaço. no desespero de uma ponta de culpa. vai invandindo o corpo de leve. nas intenções que prendem as vontades guardadas, presas. melhor que fiquem assim. a concentração pede tempo. o desejo pede liberdade. que é a alma e a força de resistência de cada um desses dias, cheios, sós, lentos ou apressados demais. reencontra em um desses lugares mais que comuns um rosto conhecido, menos que isso, familiar. alguém que conheceu, trocou algumas palavras, alguns jeitos de experimentação desse espirito, as vezes falso, de ser a liberdade, o desprendimento e a casualidade em pessoa. ponto. é o que importa agora. o momento em que as coisas, e impressões erradas findam. e dão lugar a um golpe de realidade minimamente estranho. não que as reações façam sentido. não que a procura faça sentido. não que eu queira. 
|definitivamente, consegui perceber o que eu não quero|

soa alto demais. soa limitado demais. na procura de palavras dúbias. de metáforas, no momento em que se exige clareza. vai de longe. nas impressões distantes. no foco errado. caminhando devagar e ouvindo os sons do corpo à procura de estranhos. 

quinta-feira, setembro 09, 2010

deixa viver

"tem uma essência que marca e prende e liberta [...] se impregna de palavras soltas e sentimentos livres. se encolhe em si. se encontra mais longe. no lugar que ainda não conhece, no tempo que ainda não imagina. as vidas andam. assumem forças. encontram-se pelas calçadas e esquinas. dentro e fora de lugares e quartos comuns. seja perto. seja forte. seja uma semelhança e um encontro aleatório com quem nunca imaginou. a surpresa se enche e se embala em um conto estranho. daqueles que dizem pouco e muito. daqueles que mudam a vida sem fazer diferença. segue pelas contradições, pelos caminhos inesperados, pelas escolhas variantes. cheio de espinhos que furam e sugam um pouco daqui. de si. dela. do corpo. da alma. da paz. é a calma aprensentando o olhar diverso. é a raiva acompanhando a dispersão.  leve-se. eleve-se. livre-se do alheio e vai conhecer a si mesma, enquanto sente a água tocar os pés.em percurso. de escolha em escolha. de detalhe em detalhe. do caótico e gritante olhar. ao excesso de tranquilidade e equilibrio." [deixa viver]