tentando disfarçar a sensação de falta. a sensação de apego. no recomeço o mundo se desfaz pra ser reconstruído, falta desfazer um pouco de mim. colher os fragmentos errados e me compor de um modo diferente, talvez (minimamente) um pouco mais aceitável. sem forçar nenhuma seriedade. deixando ir livre. pleno. sós em cada vida. juntos de um modo estranho. tentando entender o que é estar assim. sem sensações. sem compreensões. só cheia de idéias estranhas, talvez (um pouco, só um pouco) inapropriadas. sem importâncias que se devam dar. sem receios. sem estranhezas por andar com mãos juntas. é na sutileza que se sabe gostar. que se sente gostar. excedendo. mesmo sem ser hora de excessos. é coisa de liberdade também se deixar exceder. é coisa de liberdade dar e soltar as mãos. sentindo no tempo um correr mais lento. uns dias que são presos, que são de detalhes muito explicitos. quero do mundo. quero da vida. a liberdade mais forte. daquela em que as mãos não desfazem o toque. se deixam juntas sem prisões armadas. sem limites. será que com alguma consequência? enfrentando as últimas histórias de um ano. pra sentir um recomeço ou uma continuação. ambiguo. e firme como o tempo.
Mais recortes. Mais meias histórias. Somente frações do tempo. Contruções inadequadas ou perfeitas? A vida se resume ou se amplia em uma caixa de retalhos???
quarta-feira, dezembro 24, 2008
segunda-feira, novembro 10, 2008
abstraia
reencontre o espaço vago. em novas e super dimensões, o principal e, talvez, único motivo é deixar a vida se expandir. sem capacidade de controle. o que mais importa é se deixar viver nas faces mais leves que consegue encontrar em si mesma. pode parecer claro ou absurdo. ao mesmo tempo. num sentido escuso, confuso, que redireciona, que torna ambiguo... o mais forte é a força, num sentido vital. que deixa se mostrar através de misturas de cores, de contemplações longas do que nem sempre se pode compreender. não na compreensão absoluta, única e fiel ao autor. o mágico, o forte está na capacidade de se centrar numa obra, nem sempre plana, e imaginar, identificar sentimentos e se deixar sentindo no limite, no limiar entre realidade e abstração. abstrai. sinta. e busque em si mesma as possibilidades infinitas e angustiantes, e leves, e fortes... em dimensões que não precisam existir de fato.
sábado, outubro 11, 2008
beleza
a beleza é dona de si mesma. as vezes dilui a observação ao mais simples fascínio. talvez seja o que de forma mais forte se guia por extremos. em ambos os lados. é de certa forma um poder às avessas. deve ser isso mesmo. o dom inconstante de uma imagem estática. claro.
num sentido mais efêmero. mais explicito. de imagens prontas e perfeitas.
domingo, outubro 05, 2008
arte
a efemeridade da cena. é o que grita. o que provoca. a arte acontece. é presenciada. é uma geradora de força. é o que nutre conversas, discussões, pensamentos... por mais absurdos que sejam. é emotiva, intuitiva e extremamente real. ela verdadeiramente acontece. com uma força que nem o autor necessariamente percebe que tem. é uma obra do mundo. livre. aberta. que pensem e entendam diferente. o importante é deixá-la entrar.
sentir a arte é deixar-se viver a flor da pele. se encher de adrenalina e não sentir a dor da queda. quando há.
domingo, setembro 28, 2008
tempo
inquieto. junta as mãos, balança a perna. sentado em um daqueles bancos de praça. já nem liga pro livro aberto solto ao seu lado. deixa as mãos livres. se espriguiça. pensa em algo. escreve uma frase... não... uma palavra. 'tempo'. esse solto, estranho. que conceito mais vil pra se pensar. que tempo é esse? esse de antes, de agora ou de depois? como se desprende do antes e depois e vive esse agora? esse agora nervoso de balançar a perna. de se deixar à mercê do vento. apegado à fradilidade momentânea. do frágil ao forte. porque o nervosismo, a ansiedade têm a sua força. e o pegam até a exaustão.
tantas
de um modo estranho percebo minha vida vida se escrever pelas mãos de outra pessoa. não que eu tenha conhecido ou vindo de qualquer lugar maravilhoso perdido às margens dos meus pensamentos estranhos. mas é como se pra escrever, até mesmo minha própria história, tenha que me separar dos sentimentos e criar a personagem de uma personagem, a personagem que escreve, que cria, que voluntariamente vai contar a história, ou um trecho dela, da vida entediante de uma face de si mesma.
ainda que tenha um outro nome, ainda que tenha um outro rosto, precisou imaginá-la para escrevê-la, precisou ser ela. seja nas imagens que construiu, nas cenas sóbrias, nos diálogos frágeis, nas ilusões constantes. ela foi escrita para ser eu. talvez aprimorada, ou com um nome que eu queria ter. o mundo de ficções se suspende. porque não há um traço que separa tão linearmente essa história. os sentimentos e as percepções não são mentirosos, são histórias imaginadas do que poderia ser. o mundo se constrói e se lapida por atitudes indecifráveis e surpreendentes, não posso expressá-las sem vê-las, sem sentí-las de algum modo. e imaginar, e escrever me faz sentir.
que eu seja um personagem meu. e que me veja à distância, na cabeceira da cama, escrevendo um conto sobre o meu dia. no final de tudo o que importa é o prazer de lê-lo. a consistência de uma imagem transcrita em palavras. uma imagem que pode ser tantas. que pode até mesmo ser eu.
sábado, setembro 20, 2008
terça-feira, setembro 09, 2008
sejamos
será que me resta alguma paciência? alguma possibilidade estranha de começo? essa minha quantidade infindável de histórias paralelas as vezes me confunde. de um modo tão absurdo. de um modo tão complexo. em todas essas coisas. em todos esses lugares. será que os escritos precisam mesmo significar? a significação e o entendimento são tão subjetivos, tão individuais. somos muitos. e todos estranhos. cada um com suas especificidades, com sua capacidade de estranhamento. estranhemos os detalhes da vida. os detalhes de nossa história própria, de nós mesmos. conhecemos nossos detalhes. conhecemos. e sejamos! nossa busca por liberdade é maior e é o mais forte de nós. sejamos auto-suficientes quando for preciso. somente quando for preciso. sem arrogância. somente com a intenção de superar nossas limitações. filtrar os desejos e os medos as vezes é necessário. talvez a liberdade esteja em entender. em perceber as possibilidades, em chegar até elas. e vamos seguindo. passando por lugares e pessoas. nos apaixonando. pela vida. porque a vida é forte. e leve. e é onde estou. nessa imensidão de erros e acertos. porque não sou perfeita. e nem quero ser. vamos lutar e escolher o caminho juntos. e que seja um longo caminho. cheio de altos e baixos. como a vida é.
o importante? é emocionar. e se emocionar. é por isso que eu canto. é por isso que eu escrevo. mesmo que seja só pra mim.
domingo, agosto 31, 2008
eu
guardo algumas lembranças em pequenos objetos. que talvez só signifiquem pra mim. é isso mesmo o que deve importar. eu posso ficar feliz com elas. com essas lembranças guardadas em antigas imagens. em sorrisos fortes e sinceros. pelo menos o meu foi. e de alguma forma continua sendo. de certa forma lembrar nos faz reviver. nos torna. nos faz. pelo menos pelos próximos dias acho que consigo viver com as memórias presas nessa caixa... cheia de fotografias, de bilhetes... cheia de uma vida que eu tive, e que as vezes doí imaginar a que distância está.
podemos ser felizes com as memórias por certo tempo. mas não dá pra viver delas. em algum momento precisamos encarar a vida de frente. esses nossos futuros dias. e daí já é hora de começar a olhar pros estranhos. a reconhecer possibilidades. a perceber que, no fundo, o que resta é sempre só você. perceber que as pessoas e os lugares podem passar. que eles se despedem por mais que doa pensar nisso. só resta você. eu. sou eu. a pessoa que precisa aprender a atravessar a vida. a ser feliz por si. a ter um amor incondicional. sou eu. sou tudo o que resta.
terça-feira, agosto 26, 2008
loucos e livres
o rabisco de um rosto. um perfil cheio de voltas e descrições. porque as palavras rodeiam o corpo e outros pedaços de cada um. não sejamos tão simples em alguns dias. o complexo, a confusão, a loucura tem a sua beleza... incontida... pelos gritos, pela força. sejamos loucos quando for preciso. porque a loucura liberta. e precisamos nos encher de liberdade.
sexta-feira, agosto 15, 2008
absorção
a gente se encontra logo ali, entre uma rua e outra. em algum pequeno espaço no infinito. relação de um detalhe só, de um tipo de amor inconfundivel que norteia alguns pedaços dos meus dias. eu quero andar mais levemente. devagar. com tempo de olhar nos olhos, de olhar pros muros, pras marcas que conduzem, que inspiram, que repousam sob a imagem da cidade. das pessoas. das idéias. vivemos sempre momentos de absorção. de sentimentos. de lugares. de experiências. da vida que se deixa inspirar por pensamentos crueis e sublimes. somos só uma parte disso. uma linha jogada numa rede infindavel e confusa. cheia de coincidências, acasos, destinos. ou do que se possa chamar de momentos sem explicação. as coisas simplesmente acontecem. elas são de uma força que suga e nutre quem vive. quem se deixa viver. e eu quero sentir. e eu quero que sintam. se for pra gritar. que grite.
terça-feira, agosto 12, 2008
"..."
"(...) O que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto de um modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão." - C. Lispector
domingo, agosto 10, 2008
degraus
um menino sentado numa escada de apenas uns cinco degraus. será que posso chamá-lo assim? à primeira vista talvez não lhe pareça um menino somente, merece um olhar que alcance além do corpo. sentado meio ausente pensando na vida talvez, tentando controlar os pensamentos, querendo dormir pra isso. degraus meio perdidos na paisagem urbana. aquela última casa que tenta resistir aos arranha-céus, foi o lugar que escolheu. como se restaurasse junto à própria vida a história do mundo . talvez hoje alcance aquele pôr do sol esperado por dias. vai depois de todos...sozinho...por caminhos de areia. parece não precisar de ninguém...parece gostar de todos! talvez o mais óbvio por vezes seja o mais difícil de enxergar. merece um olhar mais apurado, além da tentativa de compreensão. talvez não sejam as palavras que importem. talvez o olhar diga alguma coisa, mas como saber o que? fico por fim imersa em meias tentativas... em meias intenções. tentando achar esses cinco degraus perdidos no meio da cidade.
[março,2007]
[março,2007]
entardecer
longa espera. uma infindável busca por anseios, por trechos, por claros recortes de vida. não foi simples, não como se esperava. que me puxasse pelo braço, deixando as marcas desses dedos calmos. não foi leve, nunca como eu quis que fosse. cheios de trágedias cotidianas, daquelas que nem o tempo é capaz de curar. por perto, sons que de uma forma intrigante não vem de mim.
[outubro,2006]
[outubro,2006]
desejos
me conta. me encontra. tenta inibir meus desejos e bloquear minha fuga. vê se torna dificil esse caminho de volta, me faz querer ficar por mais que eu vá. e nesse rumo ao futuro, nesse consolidar de metas. a cabeça esfria. o coração acalma. e eu vou é seguir em frente. porque a vida não espera. e quem pode esperar?
sábado, agosto 09, 2008
tentativas
de quantas tentativas será que eu ainda preciso? um desejo resiste ao tempo e à distância? espero que não. porque eu espero que várias pessoas apareçam e passem. como eu devo passar. somos detalhes, fragmentos que permeiam várias vidas. de tantos estranhos e conhecidos que se tornam estranhos. as vezes doí parar pra pensar nisso. em como as vezes somos e tornamos as pessoas e os relacionamentos (sejam de que tipo for) artificiais. quero conseguir manter meu olhar de surpresa, de encantamento. certa dose de ingenuidade pode sempre fazer bem.
histórias
histórias instantâneas que parecem não passar. mas os dias correm, nem fazem tantos assim, e as coisas se equilibram. ficam mais calmas. e por alguns instantes até mais felizes. percebi que o que me faz falta é um clima, uma brisa, uma caminhada pela cidade, algumas pessoas talvez, não todas, algumas primordiais, as amigas os amigos. são essas as histórias que valem a pena. as que merecem ser lembradas. as que eu lembro.
quinta-feira, agosto 07, 2008
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