quinta-feira, agosto 19, 2010

São


São como... essas limitações impróprias da vida. Me pergunto como ainda hoje algumas atitudes soam ainda como uma afronta, como um risco, como uma raiva alheia ao que não se permite perceber. Sábios são os loucos, definitivamente. Aqueles onde a coragem é um ben primordial, o mais forte, o mais consciente dos sábios se permite. Ousa escrever palavras fortes e gritantes, ousa contar da própria vida mais do que deveria. Ela é mais forte ou frágil do que parece? A quem diga que seu comportamento não lhe traz, não lhe leva a nada. Isso importa? Ah, foda-se. E quem mais quer que critique a coragem das palavras, que grite mais alto que essa mulher que alimenta a vida de felicidade e sonhos.  São as coisas e atitudes frágeis e breves. A vida é recheada desses segundos felizes e horas e dias de preocupações absurdas com o que podem pensar. Não pra todos, felizmente. Há quem perceba esse dom breve de sequências e idéias absurdas, corajosas, que enfrentam mais do que ao próprio reflexo. Se é fácil alimentar a alma? Se é fácil alimentar o corpo e o prazer que deita ao seu lado? Se é fácil gritar aos opostos? A coragem corre nas veias da pessoa que inspira essa alma e esse corpo são, até excessivamente são.

impressões

eu visualizo. de um lugar distante, sem muitos sons. as imagens se mesclam com o olhar miópe. as luzes são meros pontos luminosos, como se um ponto fixo se expandisse e  se juntasse às cores do céu. quem percebe as gotas na lente? os olhos escuros? a voz mais rouca do que deveria, sem importar. já não canta tão alto, nem sussura ao ouvido de alguém.


é de um encontro aleatório, sem expectativas. ao mesmo tempo, em que olha pros lados buscando rostos familiares. uns e outros que você encontra pelas ruas e bares da vida e aprende a só cumprimentar. se familiariza com os gostos alheios, mal conhecendo. admira à distância os caminhos de vidas de pessoas que mal lembram seu nome. estranho é nomear sentimentos e encontrá-los pelos rostos e sorrisos de quem te encontra uma vez só. estranho é algumas pessoas imaginarem que realmente conhecem você.


sou ao mesmo tempo a melhor e a pior pessoa. a mais feliz e a mais dramática. a companhia e amiga de vários e a mais sozinha. a mais cuidadosa com as palavras, a mais eloquente, a mais calma, a mais excessiva... a que ama demais, a que sente mais raiva... sob perspectivas e olhares diferentes. onde fica o meu? onde fica a percepção clara do que vejo no reflexo do espelho e por trás dele?


se gastar meu tempo diluindo essas impressões... se gastar a vida justificando as escolhas, os acertos e erros. se deixar que conduzam essas raras escolhas que a gente tem o "direito" de fazer... o que sobra? umas miséras horas recheadas de noites mal dormidas, de programações excessivas, de cuidados absurdos.


olha pros dois lados. passa dias e noites (principalmente) procurando o familiar, o semelhante.. aquele que se reconhece em uma ou outra frase. quando encontra... se faz o que? fica imersa em si mesma. fingindo que o dia espera encontrar algo mais....

segunda-feira, agosto 16, 2010

desapego

sob certas tentativas. estabelecendo certos contatos. proximidades. sem atitudes exatas. sem certezas ou cuidados. algumas insistências deveriam ser ignoradas. algumas brincadeiras e excessos. será? tentando efetivar um certo desapego. tentando lapidar alguns sentimentos que duraram demais. apagando algumas memórias, necessidade? talvez. depois de feito um arrependimento (não tanto) nutre o corpo de idéias erradas.

sem focos estabelecidos. sem desejos concretos. quer ir vivendo da maneira que for. concretizando coisas, deixando o caminho livre para as surpresas que surgirem. é, de certa forma, um guia.. de comportamentos, de cuidados, de situações... se é necessário? nem sei se isso importa. vai tentando construir o mais lento possível. vai tentando conhecer na marra. forçando as portas dos sentidos alheios. tudo parece significar.         

"não, eu não alimentei isso". 

será que não? tenho frases marcadas, tenho conversas na memória, tenho alguns dias recentes, alguns cuidades, atitudes, preocupações... 

"mas isso não alimenta, não dá força, não apega?" 

quem sente. é quem sabe. 

"não acredito que sente tudo isso ainda.." 

pois é. a vida surpreende. tinha certo medo, de encontrar, de esquecer, de superar... 

"nem eu acredito, nem suporto, nem quero". 

se coloca diante da porta. acompanha todo o dia. fica esperando. ver indo embora. alguém deixa um liquido fresco escorrer dos olhos. não quer falar a palavra que marca tudo isso. deixou de dizer coisas. deixou de sentir coisas. durante o tempo perto esqueceu que algumas coisas devem ser deixadas, devem ser abandonadas em uma memória de simples objetos e linhas. pelo que contou do tempo, dos dias... fica uma memória breve. fica um sentimento forte. que já nem sabe o que é. 

"como não sente raiva, como não sente dor?" 

"como se esquece? como se suporta?" 

"deixando o tempo, deixando os dias, deixando o líquido cair, deixando as palavras gritarem, tentando deixar de sentir"....

sexta-feira, julho 23, 2010

...

porque aqui se manifesta uma sensação no minímo estranha. não sabe o que pode sentir, fica imaginando as possibilidades mais absurdas de ação e reação. tem medo de encontrar. medo de ser vista. um medo simples. das coisas mais banais. parece uma despedida. quando um ciclo se fecha, quando finalmente se deixa livre para encerrar histórias que já duraram tempo demais. que ficaram presas além do corpo. a intenção é parar de alimentar toda a superficialidade, todas as impressões de que esses reencontros são necessários. não apago as pessoas. não desisto delas. não supero como finjo. se parece claro? se soa fácil? acho que nem eu saberia responder. se quer uma história da vida. abre a porta. deixa o caminho livre. por mais que soe poética. por mais que tenha a intenção se deixar coisas e idéias implicitas.  por mais que tente ser irônica, metafórica...


deixa a clareza ultrapassar a intenção.

quarta-feira, julho 07, 2010

encontros aleatórios.

decisões precipitadas. vai enfrentando as paranóias alheias. vai sentindo como se fossem suas. sua fragilidade, de certa forma, está nos outros. nos que olham, nos que falam, nos que deixam de falar... ainda naquelas pessoas que não deviam importar tanto quanto importam. sai ouvindo novos sons. vendo a vida com cores novas. com histórias que podem acontecer. com viagens que planeja, com sonhos que mantém. sem limites. sem fronteiras. deixa o tempo correr solto. se entregando rápido. deixando sentir. o que importa além da sensação? tantas momentâneas. tantas desesperadas. sai contanto pelas frestas  as histórias que deixa passar. 

sexta-feira, junho 11, 2010

contando

em uma sala vazia, em um andar vazio. já faz algum tempo que não passo tanto tempo diante de uma tela branca sem saber o que escrever. vou tentando e ocupando as linhas. cada vez mais devagar. sensações no minimo estranhas, sons no minimo impróprios. do elevador vazio. da porta abrindo. junto aos sons habituais. tantos e tantos. uma saída rápida pra mais um cigarro. mais um xicara de café. tentando fazer o tempo passar devagar e ele corre. uma noite que promete ser longa, ser intensa. como tantas. comum. cansativa. excessiva. será que importa essa sensação e esse descaso com que tenho levado a vida? será que realmente faz diferença pra alguém? acho que me soltei do mundo e de todas as limitações e incoerências que as pessoas proclamam. bradam. gritam. o que se faz em silêncio. o que se espalha pela vida.

vai contando histórias próprias, abrindo o próprio livro e deixando-se ler. será que conhecer tão bem alguém pode, de fato, gerar certa repulsa? acompanha os olhos que se abrem com sono, o café frio do dia anterior, o cigarro matinal, o imenso percurso do dia, as noites mal dorminas, o excesso de bebida. acompanha. vai falando mais alto, contando mais, pedindo mais atenção. como se consegue ficar sozinha em um ambiente barulhento e cheio? peço sugestões.

se sente deslocada. se sente ao mesmo tempo superior e inferior. maior e menor. parece que em poucos segundos toda a sensação e as escolhas mudam. de uma garota, mulher, menina visualmente feliz. parte pro clímax oposto. aí está a grande história, o apice. que vai lentanmente se transformando em um fim de filme, música, história. não acho que desenvolva uma trajetória clara. mas será que é necessário? não acho que as coisas por aqui façam sentido, não espero que façam. vou deixando uma parte de mim fluir de um jeito estranho e contar um pedaço, um segundo, um minuto (no máximo) de algumas dessas sensações.

as vezes não acho que quero tanto. quero uma folha. um lápis. uma tela, um teclado.
uma música. um conto curto de um bom dia. um sorriso mais livre, não daqueles que se forçam pelo reconhecimento, não de cumprimento. quero mais tempo. mais cuidado. mais respostas. mais força. mais companhias. qual é a principal busca? qual é o principal desejo e medo que coexistem num corpo só? se me ensinar a superar talvez os sentidos se alterem. talvez eu traga de volta a beleza de certas linhas. talvez eu saiba o que escrever. talvez eu construa novas histórias. sem uma auto-biografia pseudo poética na qual tenta se camuflar.

se as pessoas tem medo de deixar a vida contar. eu continuo. sem importar se alguém reconhece. se alguém se encontra. quero mais é guardar no tempo as experiências que eu tive, que eu tenho e que eu posso ter.

sexta-feira, junho 04, 2010

surpreende.

deixa a voz falar com calma. parece sonho a frase. parecem sonhos os dias. tem uma janela na casa. avista uma praça, algumas pessoas. um movimento simples e diário. parece uma vida tranquila demais. fica imaginando um futuro estranho, sem tempo. uma limitação imposta. por escolhas, por descuidos. se quer ficar esperando que as coisas aconteçam procure outra pessoa. olhe mais de perto se for preciso. e saiba que eu, definitivamente, não sou a pessoa certa. tem uma varanda no alto do prédio, tem um mar e uma lua acompanhando a vida. os inícios de noite. as preliminares dos excessos. quando se dá conta já fez tudo o que disse que não ia fazer. já falou, já gritou. já reconheu no espelho um personagem estranho e, por vezes, alguém que gera repulsa. se a felicidade se externa tanto. se a tristeza se esconde tanto. tem uma coisa errada na vida. fica fingindo que vive bem de coisas superficiais. mais esconde do que mostra. fato. as escolhas aleatórias tem consequências. tem erros. com um medo enraizado na alma que impede de dormir. mais tempo fora que dentro de casa. porque conviver comigo não tem sido fácil. se dispersa na multidão. por vezes de rostos conhecidos.

pensando se vale a pena começar.

terça-feira, junho 01, 2010

amenidades

sem amenidades. chuva forte durante a manhã. o sono acompanha o dia. o café forte já não surte efeito. saiu mais cedo. esperou mais tempo. o corpo em sentido oposto. a sensação da pele queimando, do olhar perdido. a voz rouca. impedindo o dia mais longo. nada de paredes brancas. nada de felicidades simples. fica imersa. deixa a água mais quente tocar. tranca o quarto, janelas, portas, esperanças. fica a mercê da opinião alheia. se entrega. mais.

as pessoas mudam? as pessoas escolhem? são.

tem uma essência que marca e prende e liberta. e grita do alto de onde fica durante a tarde. deixa-se na varanda do décimo andar. o céu vermelho dando lugar à lua. mais cheia mais cheia. se impregna de palavras soltas e sentimentos livres. se encolhe em si. se encontra mais longe. no lugar que ainda não conhece, no tempo que ainda não imagina. as vidas andam. assumem forças. encontram-se pelas calçadas e esquinas. dentro e fora de lugares e quartos comuns. seja perto. seja forte. seja uma semelhança e um encontro aleatório com quem nunca imaginou. a surpresa se enche e se embala em um conto estranho. daqueles que dizem pouco e muito. daqueles que mudam a vida sem fazer diferença. segue pelas contradições, pelos caminhos inesperados, pelas escolhas variantes. cheio de espinhos que furam e sugam um pouco daqui. de si. dela. do corpo. da alma. da paz. é a calma apresentando o olhar diverso. é a raiva acompanhando a dispersão.  leve-se. eleve-se. livre-se do alheio e vai conhecer a si mesma, enquanto sente a água tocar os pés.

em percurso. de escolha em escolha. de detalhe em detalhe. do caótico e gritante olhar. ao excesso de tranquilidade e equilibrio.

pára de sonhar com a vida. e segue. e apega. e prende. e ama. e sonha. e fala. e grita. deixa que contem. e parafraseando uma música dessas da vida "deixa viver".

segunda-feira, maio 31, 2010

ela

ela é diferente. de um jeito meio torto. se joga fácil, se rende. sem cuidados, sem controles. é distante.
passa o tempo contando a vida, abre o livro inteiro e deixa a história voar por aí. palavras descontroladas, frases de efeito sem filtros. sem cuidados. a unha vermelha descascando, o lápis manchando o olho.
ela deixou o corpo leve. que a paranóia dos outros fique longe. se te olham diferente deixa olhar. se faz coisas inaceitáveis deixa fazer. precisa fazer o que? ser diferente? agir diferente? fingir?

as pessoas ao redor olham sem calma. mais que observam, julgam. se me incomoda? as vezes. se me machuca? as vezes? mas essas são as que menos importam. tem melhores formas de se fazer um convite. tem reações mais cuidadosas. ela deseja mais que pode. fato. ela faz mais do que deve? não sei. os limites se guardam em outras pessoas. uma delas importava. em processo de deixar de importar.

só sei que ela pediu um tempo de calma. só sei que ela deixou de esperar pra viver.
só sei, que não vai se espelhar em ninguém. se quer saber... o tempo é pouco, a vida é curta. não espera mais tempo e salta do mais alto pra vida.

ela anda pela rua mais feliz. ela canta alto com os fones de ouvido. importa que a escutem. ela sabe o que faz bem. se outros sabem, deixa assim. fica perto. mais tempo perto. não deseja mais tocar, falar. mas tem a necessidade incrivel de ver. deixa passar longe. olha pelo canto do olho. fala mais do que devia. deixa uma ligação desnescesária contar do fim de semana. sem ele por perto. o outro lado da linha parecia estranho, parecia não conhecer. até a parte que lembra claro. o que falou? o que ouviu? realmente importa? importa que a mensagem não foi respondida. importa que não liga de volta. importa que passou. se ela quer ficar inventando desculpas pros outros... será que é a única a fazer isso? mas... mas... mas... quando alguém precisa de palavras explicitas... não adianta amenizar.

acaba-se.
começa.
finda-se.
sem esquecer.

possibilidade remota de tirar da cabeça. será?
a noite mais longa em uma distância próxima. será?

ela fica na cama. na casa. no trabalho. no tempo. na praia. há tempos sem ter sono. há tempos com a memória estranha. há tempos sem lembranças. conta alto a vida. escreve depois, pra um dia. quem sabe. talvez. ter o que lembrar. edita os fatos. edita os erros. o jeito estranho de cuidar de si mesma. cada vez mais explicito e incoerente. importa?

só se pode gostar dela. conhecendo seus defeitos. não se espera muito. não se cuida direito. não lembra os detalhes. tem preguiça por vezes. tem vicios extremos. ama demais. se apega demais. melhor apresentar-se.

sexta-feira, maio 28, 2010

equilibrio?

quanto mais se procura pior. acordando em cima da hora, andando sobre um fio. equilibrio só no sentido literal.

inacabadas

tem um pedaço solto de vida por aí. uns retalhos no chão, um copo quebrado, um cinzeiro cheio. muitos textos e livros pela mesa. a memória cheia. o pouco espaço. essa caleidoscópio confuso das coisas inacabadas. será que termina? será que começa?

olhando pelo canto. o sorriso escondido. que seja silêncio por mais tempo.
esses dias a vida tem passado devagar. sem direções precisas. importa?

segunda-feira, maio 24, 2010

sussurando

alguma expectativa? vai mentir que não. talvez seja hora de começar a seguir meus próprios conselhos. ou parar com essa hipocrisia idiota de se achar dona da razão e das idéias certas. pelo que eu tenho sentido talvez seja o oposto disso. se joga. pula. faz tudo o que quiser fazer. o que, de fato, quiser. não o que pode esquecer na manhã seguinte. se precisa controlar o corpo deixa a alma livre, aberta, ganhando espaço pelo mundo alheio. é fácil? difícil? que sentido esse tipo de limitação pode ter? é o que fica gritando dentro que uma hora se solta de si, se prende em outro. se quer fazer alguma coisa hoje. diz. se quer dizer que sente alguma coisa. faz. passa o tempo. passam as mágoas. passa a vida. passa o forte e volta o superficial. pelo caminho e pela experiência tenho perdido tempo. perdido o foco. perdido memória, lembrança, sentimento, opção, controle. o que pode mudar? me tranca em um lugar, sem porta, sem janela, no escuro limitado pela fresta, me deixa ver o lado de fora sem poder sair. me deixa sozinha. talvez assim eu desista das minhas escolhas. talvez assim eu escute os conselhos que eu não quero seguir. (não todos, alguns). faz o caminho oposto e me deixa assistir você se distanciar. fica longe. e canta no volume mais alto. eu guardo a voz na memória. e dentro. até que os poros se abrem e a reação se força a sair. é como uma metáfora. é como uma ironia. uma pessoa que se desliga deixando o mundo no superficial. quando passa por tantos o que justifica se ligar a um? qual é a estranha escolha do acaso que me faz lembrar só dele? o que mais se afasta? o que mais encanta?

descanso algum tempo. cansada de bater na porta trancada. cansada de tentar passar pela fresta. pelo menos a voz. cansada da ausência do mundo. e da companhia insuportável de mim mesma. o corpo suado, a boca seca. sussurando. pelos cantos como se alguém que não ver pudesse ouvir. quase ouço a resposta. quase ouço você.  e fico voltando. indo e voltando. de um lado pro outro. com o corpo cansado. com a cabeça doendo. tentando dormir pra começar a viver do lado de fora.

diferente

porque o gosto é diferente. porque o jeito é diferente. a voz mais suave. o desejo mais forte. quando encontra de um lado da rua. quando olha. pelo menos é a sensação que eu espero, que eu quero. do superficial pro absoluto. do vazio pro cheio. querendo encontrar e tocar outra vez. tem espaço pra isso? tem tempo pra mim? talvez eu consiga aprender a deixar a vida fluir sem ser à força. talvez eu consiga entender cada uma das limitações. o tempo não é o mesmo. o desejo não é o mesmo. talvez eu consiga. talvez eu queira esperar.

segunda-feira, maio 17, 2010

personagem


A personagem é de fato quem quer ser. Pelo menos por uma noite, extrapolando limites, indo aos extremos, excedendo. Na manhã do dia seguinte os excessos cometidos fazem diferença. Semana conturbada, se deixou fora de si por muito tempo. Entre mensagens, ligações e encontros desnecessários. Sem arrependimentos absurdos, quase não faz parte dela esse pedido insano de desculpas. Se quiser que queira assim. Será que tem certeza disso? Lapsos claros na memória, horas apagadas, sono insuficiente, dor de cabeça. Disfarça o tropeço público, perde a vergonha de sentar no bar e ficar sozinha. Hoje espera que o olhar tenha sido menos explicito do que lembra. O que descontrola alguém assim? Tem medo de abrir a vida, mas abre. Tem medo de falar alto, mas grita. Tem medo de olhar e falar, mas sente. Tranca o caos, guarda, e explode. Insuportável até para ela mesma. O cuidado anula um pouco a vida. E vai pelo meio das ruas, a hora que for, e vai por caminhos estranhos, como se a confiança, o excesso, o descaso... a protegesse. A vida está chamando agora. Precisa ser mais racional, sensata, até a loucura impõem seus limites. Por hora, senta diante da tela, se protege na personagem que só pensa que é. Enquanto esconde as imperfeições do corpo, dos desejos (nem sempre reais) do que precisa? Agora? Ver o céu. A dimensão dos sentimentos e a reação à eles não pode ser compreendida por aqui. As pessoas se protegem de modos diferentes. Tem medo de modos diferentes. Sentem de modos diferentes. Pena que esse modo pode ser insuportável para todos. Agora faz sentido. Como se convive com um personagem tão instável? Se alguém souber me conta. O sonho e o desejo se anulam. Deixa de achar possível uma mudança nos dias seguintes.

Depois da noite. Parece que o tempo passa devagar.  Alguma coisa errada, que não lembra. Acorda com o rosto marcado da noite mal dormida, com sobras de maquiagem nos olhos. Com vontades precipitadas. Com ações precipitadas. Mas será que as pessoas realmente devem se impor controle? Se quer ligar, se quer escrever, se quer tentar, desistir, lutar, sentir, fazer, gostar... que faça! Se as pessoas se importam com as reações, as vezes estranhas demais talvez (na verdade eu sei que são) pode pura e simplesmente ser a indicação que essa idéia de caminho era precipitada demais (errada). Os encontros são diferentes, os sentimentos nunca são claros assim. Sem paranóia, sem precipitações, sem excessos, sem confusão, sem caos, sem loucura (só por um tempo), me despeço. A vida segue, e por um tempo, tenho outras coisas a fazer.   

quinta-feira, maio 13, 2010

sozinha

senta mais perto, a mão aproxima devagar. não precisa falar. o som conta o início da história. que talvez comece só do lado dela. enquanto deixa ficar com o tempo, com a brisa. o vento que bate forte no rosto, que arrasta cinzas pra perto dos olhos força uns pensamentos e umas imagens inatingiveis.
 ficou sozinha esse tempo. conversas imaginárias e todo o resto só aqui. só dentro dela. pedindo calma, pedindo tempo. pedindo volta. volta que me impede. parece que o corpo sente, que falar é desnecessário. e quando se percebe o tempo da história passou, e todos deixaram passar. ao fim do dia, caminham para lados opostos, vidas opostas. não há mais encontro. nem sentido. a sensação passa em algum momento. e mais uma vez, alguém prende tudo no corpo, pior que isso. prende mais forte. os sentidos afloram. e a beleza transborna em um liquido salgado que cai dos olhos.  andam a distância, por caminhos paralelos. que acidente da mundo pode colocá-los no mesmo lugar?

planos

que passe rápido. da intensidade absurda começo a me fechar. como se dá um tempo de tudo? como me tranco em casa e fico mais comigo que com as outras pessoas? eu e um texto que tem que ser escrito. eu e planos, metas, sonhos que só dependem de mim.

quarta-feira, maio 12, 2010

a flor da pele

a flor da pele. além da conta. os poros se abrem. a voz sai mais alta. a respiração alterna entre uma lentidão extrema e ofegante. os sentimentos por todos se diluem e misturam e mesclam, ao ponto de já não conseguir identificar que sentimentos são e por quem. a pupila dilata no quarto a meia luz. espelhos em lugares certos. músicas boas, outras suportáveis. hoje as paredes não escutam enquanto eu falo cada vez mais alto. na iminência do grito. no sussuro de uma voz alheia à mim. já não reconheço a memória. sem lembranças de algumas noites. que não se superdimensione. que não se conheça tanto. tenho tido certo medo de conhecer, de deixar conhecer. frase, relativamente, estranha pra quem se adaptou a excluir certos filtros e deixar a vida ser contada aos quatro cantos.

quarta-feira, maio 05, 2010

ela, eu...

Guardava um pedaço do corpo. Tentava sentir o rosto, ouvir a voz. A vontade era aproximar o máximo possível. Eles se encontravam. De um modo aleatório, meio descrente de relacionamento. Só se viam, deixavam as mãos juntas, falavam, sorriam. Quase choravam quando necessário, pelo menos ela. Andando sozinha por ruas mais que conhecidas, cada trecho, cada esquina, cada bar... a memória não filtra. Mantêm preso cada detalhe. Cada palavra se nutre de um sentido absurdo. Ocasionalmente na mesma mesa, ela quase se apropria desse sentimento absurdo que impregna, que invade. Parece que todo o sentido está aqui, nessas poucas horas, nesses dias que eu fico vivendo ininterruptamente até agora. O eu se mistura ao ela. Parece que fica um medo de deixar reconhecível, de ficar claro demais cada um desses sentidos que transparece por aqui. Ele se consagra no suor, nas mãos frias, no nervosismo. As vezes eu acho que ficar longe, e se manter longe, é de fato a melhor alternativa.

Os olhos se abrem ao extremo. O ouvido apurado pra ouvir qualquer um dos sussurros. O nome se prende na memória. Em qualquer lugar que vá, parece o único. Talvez a lembrança tenha de fato o poder de eternizar as coisas.

Vou deixar o corpo fingir por mim. Enquanto eu conto aos poucos e sinto forte demais. Ela era puro medo, pura entrega. Deixava a liberdade extrema se infiltrar pelos poros. Como se cada letra gritasse. Pelo som calmo demais que segue por aqui. Se deixa ficar. Estar. Vai seguindo pela calmaria, se é que possível. Se é que ainda resta tempo. Tem o corpo marcado, a vida meio diluída. Só lembra de uns fragmentos, de uns trechos. Vai preenchendo as lacunas, construindo uma vida nova. Ela não era toda feita de boas histórias. E, aqui, vai tentando pelos dias, pelas horas, pelo tempo renovar o que resta.

O tempo não é preciso. A vida não foi perfeita.

Alterna sentimentos bons e ruins. Vai sonhando mais que sentindo mas, afinal, quem pode dizer que nos sonhos não se vive, não se sente? Pressente. Supõe. Constrói. E mantêm o não querer esquecer. Fica mais forte, o corpo preso à memória. Guarda, assim, os detalhes do que é possível. Se pode sonhar outra vez, que comece agora.

segunda-feira, maio 03, 2010

lembrança

eu te guardo. como uma fotografia que eu não tenho. como uma música que eu não fiz. vou te guardando perto sempre. na cabeceira da cama, ou na própria cama pra não me deixar esquecer. quem disse que é dificil esquecer? o dificil é querer esquecer. quero uma volta mais forte. umas sensações que me lembrem alguns dos muitos dias. lembro de uns detalhes e esqueço o relevante dia que a 'história' deixou de existir.

deixo pra lembrar dele depois. fica uma possibilidade de a memória voltar quando tocar de novo. quando sentir e ouvir outra vez. eu espero. assim como guardo, uma memória que ficou mais forte. uma que me deixa contar como parte de mim. porque é. parte. todo. vivendo por si, independente da vontade e do desejo. que é mais forte agora. foi mais forte ontem.

eu não apago. não quero. não deixo. não suporto.
prefiro te ter longe, do que não te ter. não importa o que seja. pode ser uma conversa mais demorada. uma lembrança mais presente. uma declaração mutua de saudade.

é bom ouvir a voz perto. tocar o rosto. e simplesmente lembrar.

quarta-feira, abril 28, 2010

falta

como é que te tira da cabeça? como é que uma ligação não me deixa dormir? me encho de saudade. mas o tempo dela já passou. é o que parece. pelo menos é o que devia. quem disse que deixar de ver, quem disse que estar longe... torna mais fácil esquecer as pessoas? elas ficam meio 'presas' em você. com todas as lembranças guardadas, de todas as formas, guardadas. e as vezes é quase como se pudesse sentir tudo de novo.

aprendendo, novamente, a conviver com a falta.