quarta-feira, maio 05, 2010

ela, eu...

Guardava um pedaço do corpo. Tentava sentir o rosto, ouvir a voz. A vontade era aproximar o máximo possível. Eles se encontravam. De um modo aleatório, meio descrente de relacionamento. Só se viam, deixavam as mãos juntas, falavam, sorriam. Quase choravam quando necessário, pelo menos ela. Andando sozinha por ruas mais que conhecidas, cada trecho, cada esquina, cada bar... a memória não filtra. Mantêm preso cada detalhe. Cada palavra se nutre de um sentido absurdo. Ocasionalmente na mesma mesa, ela quase se apropria desse sentimento absurdo que impregna, que invade. Parece que todo o sentido está aqui, nessas poucas horas, nesses dias que eu fico vivendo ininterruptamente até agora. O eu se mistura ao ela. Parece que fica um medo de deixar reconhecível, de ficar claro demais cada um desses sentidos que transparece por aqui. Ele se consagra no suor, nas mãos frias, no nervosismo. As vezes eu acho que ficar longe, e se manter longe, é de fato a melhor alternativa.

Os olhos se abrem ao extremo. O ouvido apurado pra ouvir qualquer um dos sussurros. O nome se prende na memória. Em qualquer lugar que vá, parece o único. Talvez a lembrança tenha de fato o poder de eternizar as coisas.

Vou deixar o corpo fingir por mim. Enquanto eu conto aos poucos e sinto forte demais. Ela era puro medo, pura entrega. Deixava a liberdade extrema se infiltrar pelos poros. Como se cada letra gritasse. Pelo som calmo demais que segue por aqui. Se deixa ficar. Estar. Vai seguindo pela calmaria, se é que possível. Se é que ainda resta tempo. Tem o corpo marcado, a vida meio diluída. Só lembra de uns fragmentos, de uns trechos. Vai preenchendo as lacunas, construindo uma vida nova. Ela não era toda feita de boas histórias. E, aqui, vai tentando pelos dias, pelas horas, pelo tempo renovar o que resta.

O tempo não é preciso. A vida não foi perfeita.

Alterna sentimentos bons e ruins. Vai sonhando mais que sentindo mas, afinal, quem pode dizer que nos sonhos não se vive, não se sente? Pressente. Supõe. Constrói. E mantêm o não querer esquecer. Fica mais forte, o corpo preso à memória. Guarda, assim, os detalhes do que é possível. Se pode sonhar outra vez, que comece agora.

segunda-feira, maio 03, 2010

lembrança

eu te guardo. como uma fotografia que eu não tenho. como uma música que eu não fiz. vou te guardando perto sempre. na cabeceira da cama, ou na própria cama pra não me deixar esquecer. quem disse que é dificil esquecer? o dificil é querer esquecer. quero uma volta mais forte. umas sensações que me lembrem alguns dos muitos dias. lembro de uns detalhes e esqueço o relevante dia que a 'história' deixou de existir.

deixo pra lembrar dele depois. fica uma possibilidade de a memória voltar quando tocar de novo. quando sentir e ouvir outra vez. eu espero. assim como guardo, uma memória que ficou mais forte. uma que me deixa contar como parte de mim. porque é. parte. todo. vivendo por si, independente da vontade e do desejo. que é mais forte agora. foi mais forte ontem.

eu não apago. não quero. não deixo. não suporto.
prefiro te ter longe, do que não te ter. não importa o que seja. pode ser uma conversa mais demorada. uma lembrança mais presente. uma declaração mutua de saudade.

é bom ouvir a voz perto. tocar o rosto. e simplesmente lembrar.

quarta-feira, abril 28, 2010

falta

como é que te tira da cabeça? como é que uma ligação não me deixa dormir? me encho de saudade. mas o tempo dela já passou. é o que parece. pelo menos é o que devia. quem disse que deixar de ver, quem disse que estar longe... torna mais fácil esquecer as pessoas? elas ficam meio 'presas' em você. com todas as lembranças guardadas, de todas as formas, guardadas. e as vezes é quase como se pudesse sentir tudo de novo.

aprendendo, novamente, a conviver com a falta.

terça-feira, abril 20, 2010

fragilidade

me pergunto de onde vem essa fragilidade repentida. esses pensamentos e mensagens enviadas durante a noite. deveria? claro que não. não faz mais sentido. nem aqui vai fazer. a não ser pra mim. quem compreende quando o olhar desfoca, quando os vultos tomam conta de uma imagem antes clara? os vultos de pessoas que podem ser conhecidas, dos que nunca vi, das conversas que se iniciam agora. dos encontros que se tenta marcar. vultos. experiências difusas. expectativas difusas. consolidando amizades talvez. criando argumentos pra alguma história que possa começar a escrever a partir de hoje. ou não. sempre a metafóra, o irônico, além do hábito. hábito de complicar de confundir. de afastar talvez. quero que se aproxime. quero que se afastem. entre uns e outros amigos, conhecidos, uns sentimentos de tempos atrás. fico entregando a vida, exposta assim. tão claro como as metafóras. tão inocente quanto as ironias. será que importa de fato as certezas que se imagina ter. os sentimentos as vezes são tão vulneráveis, que de um segundo a outro, de um olhar a outro absorvem o que não precisam e mudam. e desistem. estou nesse caminho. no início. claro que pode ser revertido, mas agora, não por mim. vou deixar os segundos guiarem algumas das minhas escolhas. deixar que eles se encontrem com os de outra pessoa. talvez a gente esbarre um no outro e nem perceba. talvez a gente odeie um ao outro e nem perceba. o amor ficou longe. e nem no meu mais absurdo desejo acredito que possa voltar.

sexta-feira, abril 16, 2010

encontros

num encontro desses. um lugar meio fechado, meio exposto. uma noite só. podiam ser tantas. fica um pedaço na memória, um pouco no gosto, no desejo, no querer sentir e tocar de novo. quem sabe. quem sabe o que pode acontecer, até mesmo em um curto intervalo de tempo. podem surgir novas pessoas. posso finalmente conseguir me despedir de algumas. posso rever uma dessas que encontrei e conheci pela vida em 40 minutos de conversa em um aeroporto, em uma cidade meio longe daqui. quem sabe. só não pretendo me deixar presa à essas expectativas e idéias que não se firmam, que não se deixam claras. tem um medo enraizado no corpo. um desejo enraizado na carne. uma sensação de que as coisas, todas elas, permaneceram inacabadas. e quanto mais fica longe, quanto mais demora pra ver, falar. a vontade aumenta. o desejo aumenta. me daria uma tarde, uma noite, uma manhã. o tempo inteiro de um dia. de uma semana. só pra trazer de volta à memória. só pra encontrar e deixar viva a sensação que tivemos juntos. não foram suficientes. preciso demais. quem não precisa? quem não quer?

uma vontade de andar pela rua de madrugada. a cidade quente. a temperatura da noite instiga. faz querer mais que descansar. um copo de uma bebida gelada. o último cigarro solto no maço. deixando que chegue às três da manhã. talvez o tempo não conte de fato tudo o que se pode viver. um mês curto. um mês longo. o tempo inteiro com a impressão que durou mais. quero segurar a mão. quero andar. quero te olhar de novo. mais de perto. mais perto. até que toque. até que os sentidos se alternem. do olhar ao tato.

são umas vontades soltas. que não se fixam em ninguém. talvez momentaneamente. talvez agora. talvez esteja claro pro mundo, pra quem me conhece, de onde o alvo se aplica. as pessoas vão sim, reconhecer a cidade. reconhecer o rosto. a voz. elas entendem.

por que agora parece me fazer mais falta? por que deixei essa história tão inacabada que agora volta quase por completo? acho que não me recupero. que não esqueço. que tudo fica meio preso em mim. os sentimentos. por todas as pessoas que já passaram. não foram tantas assim. mas essas poucas ainda não me deixam esquecer.

quinta-feira, abril 15, 2010

eu, ela...

você pode me encontrar em um lugar longe. o que importa é que me encontre. com saudade imensa. vontade de abraçar e sentir de novo. e cada vez mais forte. um olhar e pensamento fixo. quero a vida mais presa que solta, entre as minhas mãos. quero mais sonhos que certezas. mais liberdade, mais loucura. se é que é possível.

ela te quer de novo. se é que deixou de querer algum dia.

ainda ouço a voz um pouco baixa. ainda sinto a mão.

não eu, ela. ela. ela é quem te espera. ela é quem te quer. que pensa o dia inteiro. que sonha.

só preciso me convencer disso.

sexta-feira, abril 09, 2010

sentimentalismo

um sentimentalismo. como daquele da época de escola. sensações. das mais estranhas. minha vontade agora é caminhar pela praia, ver um pôr-do-sol, uma lua cheia. ler umas cartas. encontrar algum estranho pelo caminho. começar uma conversa, deixar ela inacabada.

quinta-feira, abril 08, 2010

encontrando

e essa paranóia de querer sentir as pessoas. de querer perto. um abraço mais forte. uma sensação de vazio que estagna um pouco o corpo. quero os detalhes concentrados de todos. de todas. dos de perto e dos de longe. me parece um certo egoísmo talvez. nem tanto. de escolha em escolha se forma um caminho, uma perspectiva de vida talvez. uma sensação. ou várias. o corpo pede. o coração sangra. corre um liquido meio salgado dos olhos. e quem explica de onde vem? e quem encontra o lugar certo entre as pessoas. umas tão diferentes. umas tão iguais (se é que alguém pode ser). esbarrando. encontrando. talvez uma única vez. mas não importa. fica forte. fica perto.

terça-feira, abril 06, 2010

saudade

ninguém disse que é fácil. despedidas nunca são. fica uma saudade absurda, um pouco de vazio. a sensação de que deixou um pouco de si em cada lugar, com cada pessoa. essas que são inesqueciveis. essas que vemos no máximo três vezes por ano, nesses encontros da vida, mas com o abraço cada vez mais forte. mais fiel. mais verdadeiro. acho que é a maior força que eu tenho. a vontade de ficar junto, de lutar junto. talvez tenha demorado demais pra deixar isso tão a flor da pele nos últimos dias. não consigo mais ficar longe, mas como se consegue estar em tantos lugares ao mesmo tempo? pará, piauí, paraíba, maranhão... precisaria de mais tempo. precisaria ser mais de uma pessoa, estar em vários e vários lugares ao mesmo tempo para tornar esses raros encontros suficientes. e eles nunca serão. porque alguns amores são inesgotáveis, quando se partilha essa força, essa construção, essa luta social, esse sentimento se fortalece, se amplia, se renova. com essas pessoas. e com as que estão por vir. não achei que pudesse ser mais forte, que pudesse ter mais coragem. nos surpreendemos com nossas próprias mudanças. espero ter mais dessas surpresas. espero ter mais desses dias. espero estar mais com essas pessoas. o sentir, ultrapassa o saber, o perceber... prefiro sentir. prefiro que sintam. só o sentimento traz a força necessária.

quarta-feira, março 24, 2010

sensibilidade

eu sempre acho que passou. mas aparece uma foto no canto da página, uma conversa mais curta. o tempo passa mas as coisas não se apagam. hoje eu queria apagar de vez, esquecer. uma pessoa que você não conhece, que não faz diferença encontrar. tô com uma sensibilidade estranha pra agora voltar a pensar nisso. com uma saudade estranha. com uma vontade estranha.

de verdade, acho que o que quero mesmo é mais tempo. mais cuidado. de vez em quando ficar sozinha cansa. descanso disso em casa, depois do trabalho, depois da aula, com a porta do quarto trancada.

quarta-feira, março 17, 2010

narrativas

percorrendo os caminhos da história. tentando sentir na pele. tentando construir uma narrativa linear... pra que, se nada é linear? só uma sensação de que se pode contar e escrever sobre tudo. tenho até medo do que vai restar dessas 11 páginas.

começa a edição. como é difícil apagar o que foi um parto pra escrever. =/

quarta-feira, março 10, 2010

indo

uma demora do tempo. em fase de tentativas, de sugestões. caminhando, relativamente devagar, mas sem parar...

quinta-feira, março 04, 2010

cansaço

não sei se tenho pra onde ir. nem lugares. nem pessoas. como se faz a vida quando se chega nesse limite? sem muitas conversas. sem bom dia. sem cumprimentos, sem motivos. não sei o que torna os dias bons, talvez só tenha encontrado motivos e idéias erradas. de mim. dos outros. não tenho tanta força. nem o minimo que pareço ter. de vez em quando a vida cansa. de vez em quando não se consegue andar.


se é um momento assim? que as letras digam.

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

dele

queria uma parte dele de volta. uma imagem, fotografia, memória, lembrança...


...uma experiência...

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

partes

o que importava... não importa mais. em uma estranha seleção de prioridades. até que não está sendo tão difícil fazer escolhas. será que realmente fiz alguma nos últimos dias? quem sabe. posso passar os dias assim. andando mais devagar. olhando mais em torno de mim. o mais longe que der. ultrapassar a fase de olhar. chegar perto. sentir. imaginar a pessoa que posso ser. e ser. o que se faz quando os sonhos são opostos? quando suas duas possibilidades duelam. se é que são só duas. posso ser, ao mesmo tempo, pessoas tão diferentes assim? já é hora de pensar no tempo. já é hora de adiantar o que era sonho. de criar alternativas, possibilidades. de ser um pouco mais concreta. sem parar com nenhum dos sonhos. mas uma escolha se faz. pode dissipar com o tempo. pode tornar real. será que realmente ainda é cedo pra saber? espero que sim.


o tempo pode lapidar e destruir.


qualquer das coisas. qualquer das partes da vida. a gente vai se equilibrando entre as várias partes. claro que sem nenhum equilibrio, quase caindo sempre. sentindo a adrenalina de cair. sentindo o medo. e uma certa força. que não faço idéia de onde vem. será que pode mesmo ser de mim? tem um jeito de se sentir sozinha. como ninguém mais. um jeito de ser melhor e precisar de tantas pessoas por perto.


cadê a força? cadê o certo? cadê o tempo que sobra? cadê a parte de mim que aguenta firme e segue em frente? uma parte que dilacera com uma frase. frágil. será? leve. será? o rosto desfocado talvez conte minha história melhor. talvez faça mais sentido. talvez me encontre de um modo mais verdadeiro. se é que alguma parte de alguém é suficientemente verdadeira?

terça-feira, fevereiro 09, 2010

distante...

por uns dias. ou tentando ficar. metas de organização. será que alguém consegue mesmo seguir? duvido bastante de mim nessas horas. depois da tentativa quem sabe eu descubro.

quinta-feira, janeiro 28, 2010

de volta

ócio criativo? nem tanto. ócio? nem tanto. sem tantas utilidades e pretensões nos últimos dias. cheia de hábitos. dormindo às 4 da manhã. fazendo nada. mudando de canal numa limitada tv aberta. vagando entre os filmes trash de um e a pregação de outro. com uma imagem ainda por cima não tão nitida, sem surpresa considerando que a antena só tem um lado. de volta ao calor. o som do ventilador quebrado que em cada volta interrompe o sono. se é que tenho sono. até às 11 da manhã. acordo suando. naturalizando o calor da cidade no corpo. o quarto fechado, com um pouco do cheiro do cigarro impregnado no lençol, na parede, na boca. nem eu aguento mais o cheiro. a sensação. enfim. a nicotina com o café. hábito forte adquirido, principalmente, nos últimos dez dias. sem saudades da chuva, do tempo, do alagamento nos corredores da puc. nem quero imaginar o resto da cidade. vista de um modo tão limitado enquanto subia e descia as rampas pros internalos do cigarro. o fumante faz suas próprias pausas.
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enfim de volta. em uns segundos e fico mais velha. nenhuma idade peculiar, nem marcante. 23. (talvez me lembre um filme, número que vira fixação) que não vire hoje. não esperei tanto tempo no aeroporto dessa vez, conheci um cara lá. uma conversa de 40 minutos ajuda a passar o tempo. hábitos comuns definitivamente aproximam. quem mais estaria com as malas de 10 em 10 minutos na porta do aeroporto com uma garrafa de coca na mão e um cigarro na outra. uma troca de telefones, e-mails. talvez a gente se veja em olinda. ou não. quantas pessoas não vou encontrar mais? em quanto tempo?
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chego com uma nova viagem inteira planejada pra depois da formatura (se é que ela vai mesmo chegar...) brasil, bolívia... encontrar e passar por mais pessoas. que talvez não encontre mais. adapte-se. planeje-se. contenha-se. sem despedidas exageradas. meta de aprendizado. como se fosse possível. quero morar em tantas cidades ao mesmo tempo. belém. joão pessoa. piauí. curitiba. aracaju. um pouquinho em fortaleza também. talvez. =)
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enfim. do trabalho pra casa. dormir. acordar. almoçar. trabalhar. tentar escrever (...) continuações. querendo enquadrar a vida no tempo. no pouco tempo. nas pessoas. nem tantas pessoas. ainda estou numa sensação de vazio estranha. por mais que faça planos. por mais que viva algumas coisas. ainda não mudou.
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descobrindo um modo de mudar. ou fingindo que estou.
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quinta-feira, janeiro 14, 2010

...são paulo...

sexta-feira, janeiro 08, 2010

...

...talvez seja hora de preencher o vazio...

terça-feira, janeiro 05, 2010

vazia

não tenho pensado em planos. em metas. em sonhos. acordo pra dormir e durmo pra acordar. leio um pouco. sem escrever muito. não tenho visto sentido, nem futuro. acho que ninguém precisa ser otimista o tempo todo. com o que têm acontecido é difícil ser. quero ir embora mas preciso ficar.