segunda-feira, março 14, 2011

saudade

me impressiona a facilidade que algumas pessoas têm com despedidas. me impressiona o jeito como as pessoas seguem em frente de um jeito normal. me impressiona o olhar delas não deixar explicito a falta que sentem, o sorriso delas continuar igual, me impressiona a vida manter-se do mesmo jeito pra quem fica no mesmo lugar. deve ser mais fácil ser a pessoa que vai embora, ser a pessoa que vai pra um lugar diferente, viver outras coisas, conhecer outras pessoas. e quem fica? a mudança é a ausência. e não consegue ver um jeito de fazer a ausência não doer. parece que foi uma parte de mim que me tiraram. 

você conhece algumas pessoas e nem pode imaginar o quanto elas podem se tornar importantes, o quanto você pode amar de um jeito incondicional. aquele amor bom de se receber de volta. algumas amizades definitivamente são os maiores amores da vida, aqueles insubistituiveis. aqueles de sonhos e planos que tentam se construir juntos ainda que nem sempre seja possível. eu deixei umas lágrimas cairem, não o suficiente para olhar pra cidade em que permaneço sem lembrar de todos os dias lindos compartilhados. sem lembrar de todas as conversas, de toda a confiança, de poder abraçar, de poder ver a qualquer hora, de poder ir ao cinema ou beber em um dos bares comuns da cidade. 

doí. e não tem como não doer em mim. se é pra sentir todas as coisas do jeito mais forte. é a despedida de um amigo que doí mais. é a falta e a saudade que preenchem o dia de hoje. a dificuldade de dormir como se eu também fosse embarcar pra uma vida diferente. 

nos veremos em breve. eu sei. mas as cores do mundo mudaram um pouco. não sei como o sol decidiu se mostrar hoje. não faz sentido. a luz volta em abril quando vou poder abraçar outra vez. 

"de todas as coisas eu espero que você permaneça"

segunda-feira, janeiro 31, 2011

vontades

fase de encontros talvez. de cuidados excessivos. de lembranças boas. de passagem. aqueles momentos em que você começa a pensar mais nas pessoas, as vezes em uma pessoa só. e não deveria. sem os excessos comuns da vida. sem se jogar. pisando de leve com medo de cair, de afundar, de fazer qualquer coisa que me coloque na beira de um abismo... com alguns medos. de sentir demais, demonstrar ou falar demais. algumas pessoas voltaram a preencher meus momentos de ócio e alguns poucos lúcidos. não deveria. os momentos passam, talvez não seja hora de resgatar esses sentimentos de anos atrás, nem de alimentar esses novos que surgem em momentos e talvez por pessoas inapropriadas. são alguns pensamentos que vagam pela minha cabeça, que ficam alimentando meus dias e noites. sem sentido algum, com certeza. não sou das pessoas mais fortes. nem das mais fracas, fico em um ponto equilibrado irritante algumas vezes. como estou agora. querendo coisas, pensando muito, planejando demais... até quando as histórias que eu sonho vão ficar no papel? minha vontade é arrumar uma mochila e sair por algumas cidades do mundo, rever pessoas, conhecer pessoas... deixar o vento e as surpresas da vida me levarem a qualquer lugar. tenho tempo. aquele que mais tarde pode me faltar. agora. não que eu ache que deva viver como se fosse meu último dia, não que eu queria largar tudo e fazer tentativas aleatórias. dessas infinitas coisas que eu quero fazer e viver quantas serão possíveis? talvez são seja bom ficar me perguntando isso. mas quando se pára e pensa já fica meio tarde pra voltar. quero viver o máximo possível esses sonhos e desejos guardados. quero alimentar de alguma forma essas boas sensações de alguns encontros, quero deixar que se esgotem naturalmente, sem estratégias ou ações prematuras... quero. esse é o ponto chave de tudo. o desejo. a vontade. a paixão. e elas existem para serem realizadas, mesmo presas dentro de mim.

quarta-feira, janeiro 26, 2011

fala-se de revolução solar... esses encerramentos e começos de ciclos. diz-se. crer quem quer. mas é um jeito bom de começar o ano. tá certo que eu (apesar da chuva) preferia um dia nublado, um frio entrando pela janela, inflando um pouco de nostalgia do peito, lembrando de coisas que não voltam mais. talvez fosse melhor ficar planejando e pensando em coisas futuras. todas as pessoas falam de presente, de hoje, só por hoje... mas quem consegue realmente pensar e agir assim? eu não. fico alimentando essas lembranças, memórias, fico imaginando essas suposições de dias que ainda vão vir. fico. parada diante de algumas folhas, de alguns livros.. tentando lembrar, viver e imaginar simultaneamente. como se fosse possível. não me falaram quais sensações antecedem e acompanham todo esse dia. nos últimos anos não tem sido das melhores....

terça-feira, janeiro 11, 2011

primeira pessoa

terça-feira, janeiro 04, 2011

mudança

seriamos idênticos se fosse necessário. conseguiria estabelecer padrões de gostos, de características... para ser semelhante. só se atura um semelhante. será? talvez talvez. daí olha pro lados e procura uma reles semelhança entre as pessoas com quem convive. não encontra nada. talvez uma ou outra música. um ou outro livro. nada que pareça suficiente. se é que é possível chegar a essa suficiência. como esses ditados clichês: "a grama do vizinho é sempre mais verde". definitivamente. as vidas parecem melhores, mais calmas (se é que eu quero calma). mais fáceis (se é que as confusões humanas permitem). mais felizes (se é que há algum significado real na palavra). pode soar melancólico demais, mas não me vejo mais rodeada de tantas pessoas. talvez esse seja o principal problema, esse desejo de estar rodeada de psedo amigos. não que todas as pessoas que me rodeiam não sejam boas (ainda que tenha certeza que não são). mas é impossível travar com todos relacionamentos tão profundos ao ponto de realmente poder contar e ligar e procurar a qualquer hora do dia ou da noite. de quantas pessoas já devo ter ouvido isso. pra quantas pessoas já devo ter falado isso. seriamos mais justos com os outros e com nós mesmos, quando estabelecemos essa linha divisória que as diferenças colocam. isso não implica em tratarmos mal um ao outro. isso não implica em desejarmos coisas boas somente para essas poucas pessoas que queremos perto. só é uma tentativa de tornar as relações menos traumáticas. só tenta-se diminuir a dose de dores que todas as separações (sejam elas quais forem) trazem. o dificil de tudo é tornar isso compreensivel, aceitável... de um modo que não se sintam magoados. 

o mundo também é feito de um emaranhado de relações que precisam se manter equilibradas. afinal, existe de fato "amigos pra sempre"? claro. talvez não do modo como esperamos que seja. as pessoas se distanciam, amadurecem de modos diferentes, consolidam gostos diferentes. sonham diferentes. partem. voltam. trabalham (ou não), estudam (ou não), casam (ou não). vivem de modos diversos. e quando nos damos conta os números que sabíamos de cor, somem. o nome que erra corriqueiro, falha na memória. as lembranças dissipam. isso não é trágico, nem vingativo, ou uma manifestação de qualquer tipo de raiva. demorei pra compreender. 

não se trata de uma evolução ou não. é somente mudança. talvez a única coisa que realmente nos acompanhe durante toda  a vida. mudamos. a cada dia. transformações simples, complexas. que evidentemente nos transformam. nos levam  a outros lugares...a outras pessoas.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

ligação

um pouco de tempo. e as coisas fingem passar. mas voltam de um modo absurdamente exagerado. enquanto fala ao telefone, enquanto lembra. vai pensando no quanto essas memórias foram boas de ser construídas. é estranho como se gosta das pessoas. como se começa. como se mantêm. conheci algumas pela vida, talvez numa quantidade maior no último ano, de janeiro pra cá, de uma mudança pra cá, de um rompimento pra cá. rompimento não tão explicito, sem o ódio, a repugnância necessária pra esquecer. foi ficando. fica. está. claro que de um modo diferente, mais claro, mais longe, mais aceitável. mas está. é bom pensar nas pessoas. imaginar as situações. sonhar um pouco. mais acordada claro. desejando. hoje, a voz foi mais calma. o falar pareceu mais sincero, mais calmo, sem cobrança, sem nenhum desejo aburso demais. só queria ouvir. só queria o tempo. só queria ficar mais instantes nesse fio. nessa conversa. nesse jeito de gostar. diferente, sim. mas que continua. não é mais tão extremo, tão exagerado. a vida, de vez em quando, só de vez em quando aprende a ser calma.
tem um canto lento, leve, baixo. fica visualizando e criando contos. uma casa pequena. portas, janelas e paredes coloridas.

sentimentos

deixei boa parte dos meus sentimentos em um desses lugares por onde andei. os dias não foram bons, não foram esperados, daquelas surpresas que você prefere não ter. não que tenha deixado um pouco de mim por lá. voltei inteira. só perdi essa capacidade que, pelo menos, achava que tinha. não acho que vá sentir igual. não acho que vá querer igual. mais nada. os dias passaram devagar demais. e não me livrei dessa melancolia desnescesária. nem acho que vá me livrar. quero que as pessoas fiquem longe. por um tempo. quero voltar a me conhecer e acreditar que mereço alguma coisa. já nem importa o que é. que venha algum desses sentimentos que deixei o tempo roubar. se eles forem bons ou ruins, já nem sei se importa. por enquanto os perdi todos. momentaneamente espero. mas passa alguns dias já nessa sensação incomôda. nesse medo que as coisas não mudem. não passem. já nem sei se sinto falta. já nem sei se quero perto. algumas pessoas deveriam, mais que merecem, ser apagadas da vida, da memória, dos sentimentos (sejam eles quais forem). 
quero começar. alguma coisa que não sei o que é. quero ficar quieta e sozinha. quero me reconstruir... sem nenhuma das antigas partes. sem nenhuma das antigas pessoas. com toda a ausência, com todo o desejo. com o medo absoluto de que as coisas não voltem ao normal. quando você começa a ver as pessoas, em sua plenitude, quando você perde a ingenuidade que os sentimentos lhe dão, quando você esquece, parece que tudo perde um pouco do sentido. como é que se faz para acreditar outra vez?

segunda-feira, dezembro 27, 2010

a espera

Arrepende-se. Não sabe bem de que. Mas, arrepende-se. Das coisas não ditas, do que falou. Das lágrimas, dos desabafos. Da fé que voltou a ter nas mudanças de alguém. Será que uma conversa tem uma força tão grande assim pra mudar comportamentos. Não sei. Espero que sim. Espero que as coisas sejam diferentes. Como sempre esperei. Espero ter dado a chance na hora certa. Espero que as boas semelhanças aflorem esses sentimentos bons de querer perto e de se deixar mudar. Por um tempo prolongado. Não somente pelos dias seguintes.

Acredita. Não sabe bem em que. Mas, acredita. Acredita nas palavras, nas lágrimas, nos sentimentos anunciados. Volta a acreditar que pode perdoar. Que pode voltar atrás, pra deixar um recomeço que está por vir. Espera. 
Espera. Cansada na porta de um prédio no qual nunca entrou, diante de prateleiras alheias de livros que quer ler. De discos que quer ouvir. Que lhe alimentam de lembranças, de futuras memórias. De coisas que ainda podem acontecer. Do desejo de aproveitar o tempo perdido. Espera. Mais uma vez. Espera. Deitada na cama de casa, odiando cada ligação não atendida e cada minuto além da hora marcada. 

Aprendeu a esperar. Se deixou enganar pela fé e por alguma esperança de que as pessoas podem gostar ou precisar dela. Enquanto isso. Mancha o travesseiro outra vez. Caem umas gotas salgadas. Sente. Sente cada um dos dias que perdeu. Cada uma das manhãs e tardes e noites em que se limitou a esperar. 

Volta a esperar. Com fé. Com amor. Com raiva, em menos de uma hora, todos os sentimentos se camuflam no sorriso que mostra ao sair. Não sorri por dentro. Não sorriu. Não sonhou mais. Deixou o corpo esperando. Como sempre.

caio f.

"Me entende, eu não quis, eu não quero, eu sofro, eu tenho medo, me dá a tua mão, entende, por favor. Eu tenho medo, merda!Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fos...se e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas.Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei. Apronto agora os meus pés na estrada. Ponho-me a caminhar sob sol e vento. Vou ali ser feliz e já volto".
(caio fernando abreu)

quinta-feira, dezembro 16, 2010

[...]

traz a saudade pra perto. foi daquelas pessoas em que a falta às vezes significava mais que a presença. olhava nos olhos sim, mais que nos olhos do corpo. a alice que atravessou o espelho e esqueceu de voltar. gruda o corpo na porta de casa, tenta saltar da janela, consagra esses sentimentos estúpidos que a fazem correr mais rápido sem saber pra onde. esbarra em portas de vidro, atravessa paredes do quarto e fica flanando por entre seres estranhos que comungam de suas compulsões e vícios. não procura suas qualidades nos outros, valoriza os defeitos. absorve toda a insubordinação, toda a impulsividade, imaturidade seja o que for. de um segundo a outro transforma essa sensação estranha e restaura uma vida comum e cotidiana demais. 

sexta-feira, dezembro 10, 2010

caio f.

comecei a ler "para sempre teu, caio f.", sobre o escritor caio fernando abreu. tenho praticamente uma obsessão por biografias. uma leitura que corroí os sentimentos que ainda tenho, tenho vontade de conhecê-los, de imaginá-los, as vezes de ser como eles. quando não encontro tantas semelhanças, que quase imagino conversas e trocas, de cartas, sonhos...

ele me deixou assim. cheia dessa melancolia que não se guarda. me perguntando se alguma amizade, hoje, resiste à troca de cartas e sinceridade. tendo na escrita a maior paixão, o maior alivio e a maior angústia. a companheira que vai me sugando e alimentando ao mesmo tempo. não gosto de escrever, eu preciso. 

se guardar ou afogar a minha entre as linhas é suficiente eu descubro depois.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

histórias

guarda uma história no quarto. deixa as palavras vagando por lá. sonha com elas. infinitas frações de histórias. ainda não concluiu nenhuma. vai sentindo quase todas elas pairando sobre si enquanto dorme. diversas fontes, diversos sentimentos, diversos... sente o som das palavras vibrando ao pé do ouvido. se alimenta delas. quer torná-las personagens. aqueles todos que se assemelham a ela. vaga entre portas de pessoas estranhas, talvez um dia conheça uma delas em um café, partilhem o silêncio e guardem na memória uns olhares trocados, reciprocos... e uma, duas horas depois um sai pela porta e deixa um sorriso largado ao vento, de despedida. pode acreditar que o "destino" vai colocá-los de novo no mesmo lugar, que pode anotar o nome, endereço, telefone em uma página aleatória de um livro e ir embora deixando uma esperança meio solta de partilhar aquele silêncio outra vez, como naqueles filmes que até lhe fazem acreditar que as coincidências realmente tem algum sentido. pode tantas coisas. ali, parece que as imaginações viram lembranças, que as situações que cria foram realmente vividas. confunde os medos reais com o que pairam durante o sono. acorda num sobressalto. num susto de um lugar estranho, como se não reconhesse mais a pessoa que é, que foi... como se alguém pudesse mudar tão bruscamente, como se os sonhos alimentassem mais que a vida cheia de encontros, medos, paranoias, fases, ciclos. o que preenche esse espaço de tempo em que a gente vive afinal? será que é possível encontrar respostas tão coerentes e definitivas? 

[não]


percebeu outro dia que os sentimentos mudaram. que ela mudou. mais um personagem de passagem. buscando uma saída pra encontrar uma porta ou uma janela nova. cheia de vontades, de recomeços, de uma luz estranha que tem bastado. os tempos largados divagando sobre aquele futuro que é, necesariamente, incerto. melhor que seja. cansou das certezas. da vida prática. vai indo pelos caminhos dificeis, deixando algumas pessoas pelo caminho, talvez. você muda, ela muda. quando se dá conta, já nem lembra de quem tanto gosta. ficam lembranças... ficam. não sei se saudade. mas a lembrança ninguém pode lhe tirar. 

se é pra se dar conta de que o tempo passa, melhor começar a viver. perseguindo aquelas coisas que lhe deixam um sorriso involuntário no rosto. que deixa escorrer uma lágrima. aqueles que emocionam sem falar. 

[a essa hora, melhor deixar o copo e o cinzeiro de lado um pouco e começar a dormir. a noite é cheia de palavras que pairam]

ciclos

fechando um ciclo, acho. encontrando e reencontrando algumas pessoas. fortalecendo certos laços. aprendendo, no minimo tentando aprender. cheia de coisas e percepções a serem avaliadas, vontade de ler, ver e ouvir milhões de livros, filmes e músicas. será que o tempo se altera depois dessa "fase"? vou descobrindo, de certa forma, um caminho novo. e sem a menor ideia de onde se pode chegar por ele. 

segunda-feira, novembro 22, 2010

vícios

esqueci dos dias mais calmos. vivendo assim. voltei a lembrar que um cigarro atrás do outro [não que faça bem!] acalma. que o café me mantêm mais tempo acordada. será? a vida saudável fica pra mais tarde. por enquanto os planos, as metas, a necessidade de concretizar as coisas não me mantêm calma o suficiente sem os vícios diários sendo alimentados. o sono que não permite descansar, as noites mal dormidas, a dor nas mãos do frio de uma sala fechada no ar-condionado o dia inteiro, de escrever quase mais do que falo, mesmo sem organizar tanto, mesmo sem concluir o que é necessário. tem tempo? tem que ter. no final de um processo. que não tem sido dos mais fáceis. nem dos mais curtos. que ânsia de terminar não o deixe "inacabado", entre aspas porque nada assim pode estar de fato concluído. aprendendo com alguns erros, submetendo-me às criticas, ainda sem estar preparada pra isso. será que alguém realmente está pronto para reavaliar, os trabalhos, as folhas preenchidas, a vida? no desejo de uma conclusão acertada.

terça-feira, outubro 26, 2010

dias estranhos

em dias estranhos. minimos. tentando fazer as coisas pequenas, tentando começar a organizar a vida, os papeis, os sentimentos de alguma forma. por mais que possa demorar. dia de primeiro passo e esperança que os outros passos venham depois. cansada de um pouco de tudo. das reformas que atrapalham o cotidiano da casa, dos textos que não consigo escrever, das entrevistas atrasadas. de não saber o que falar, o que fazer. estou imune a esses comportamentos precipitados. será? quero uma conversa aleatória, um desconhecido pela rua que parece pensar ou ser ou gostar das mesmas coisas que eu. possível? no sonho, na esperança... talvez seja hora de voltar a ver aqueles filmes, ouvir aquelas músicas, bonitinhas, bobas, que fazem você acreditar nas coisas bonitas, nos sentimentos bons, na possibilidade de encontrar o amor da vida em um esbarrão acidental. 

o bom é saber que, definitivamente, isso nunca aconteceu. 
não perdeu um amor por aí. só não encontrou.

quinta-feira, setembro 23, 2010

superação

superação. com a clareza que não significa esquecer. 

é, claro que tem uma sensação boa de ver e não importar mais. de encontrar e não precisar fica lá do lado, esperando as reações, as atenções, que, em algum momento, foram desejadas. sensação boa de não precisar ter perto, de não precisar ouvir a voz. o desejo não é superior à essa necessidade que até pra mim sempre pareceu absurda e extrema demais. se falam e pensam qualquer coisa já nem importa. qualquer das pessoas que podem ou que eu imagino fazendo esse tipo de coisa não importam mais. 

estou no ápice de uma liberdade que não me prende. qualquer das coisas, possibilidades... pode acontecer. o passo certo é reagir sem a necessidade. se ficou um pouco de desejo, não se pode fazer nada. não imagine que é unanimidade. por mim não.

terça-feira, setembro 21, 2010

outra vez

alimenta outra vez...

deixa os olhos se encontrarem. as mãos juntarem novamente sem querer [...] quando fica parada no alto de um prédio observando a cidade as coisas parecem menores, os sentimentos parecem mais fáceis. a impressão que eu tenho é que as coisas a partir daqui vão acontecer como têm que acontecer. natural. tranquila. leve. destoante do pulso que bate cada vez mais acelerado. a essa hora as distâncias se aproximam. a essa hora o coração grita alto. chama alto. como podem as pessoas? como ousam as pessoas? imersas no silêncio e no vazio de quem finge compreender. de quem percebe com calma, mais do que é realmente necessária, esse meu limite que não nutre a superação. quer passar por cima de tudo. quando pretendia tentar novos começos, quando se aproximava de novas pessoas... quando deixava a saudade esquecida em um canto da casa, do quarto, da vida... o corpo volta a suar frio. as conversas ficam mais nervosas. o sorriso fica exposto por ver. 

chega o momento do ponto final. quando olha pro lado. quando perde a voz. quando as palavras não completam frase alguma. quando o sonho dispersa. quando desfoca as imagens e as letras. deixa a ansiedade tomar conta. escolhe o lugar. pára e deixa o corpo e o coração ficar.

segunda-feira, setembro 20, 2010

encontros

quando passa. soa uma brisa leve ao pé do ouvido. reencontra memórias tão boas que doem de alguma forma. por ser pura lembrança, por ser o que passa. andando devagar ao lado, as mãos juntas. ainda. nesse tempo que anda mais devagar, nesses dias que lapidam essas sensações falsas de proximidade e um gostar alheio. aquele que se apresenta como amigo. aquele que se preocupa como amigo. ou não? ou é pura impressão que qualquer resquicio bom de sentimento ainda reste. ela, da calma parte para uma ansiedade. uma combustão. um caos. dentro dos limites de paredes já reconhecidamente próximas da história que ousa lembrar. é da leveza que sente falta. é do cuidado que quer fugir. guarda uma parte daquilo tudo, queima e deixa o vento levar e dispersar pro mais longe. só daqui resta alguma coisa. só daqui sente alguma coisa. 

não quero que encontre. não quero que guarde. basta o tempo gasto, o sentimento disperso, a doentia sensação que, de tudo, alguma coisa ficou. 

se encontrar. esqueça cada palavra, cada ato, cada sentimento. deixa diluir por aqui o que já não faz bem.

desse lado, só posso tentar.

quinta-feira, setembro 16, 2010

guarda as contradições para si.