quinta-feira, novembro 30, 2006

maquiagem

ela, seus olhos presos, sendo contornados por um lápis preto. montava uma nova personagem a cada dia, às seis da manhã. como se pudesse tornar as coisas melhores com essas fantasias de uma vida diferente. não conseguia entender que do passado era incapaz de transformar. vivia plena de lembranças, quase como se fossem o seu presente. sei que era difícil, uma menina que construía a vida, que lapidava qualquer sentimento que começava a surgir. não podia aceitar tal idéia. escolhia pelo quarto e por seus papéis jogados pelo chão, sua vida eram suas histórias.

[...]

o vento acalmava seus receios. já não sabia se queria ser encontrada. ou se jogar de vez, pelo abismo de terra além da estrada. seria essa uma nova forma de começar?
era um velho espelho. já percebia que pelas ruas seguiam seus segundos de caminhada até o trabalho. era visível a maquiagem forçada. como se essa fosse a forma de convencê-los que podia. era quase como um frasco, bem dizem que os melhores perfumes estão nos menores frascos. era leve. aparentava fragilidade. mas tinha aprendido finalmente que há outras formas de se tornar uma pessoa mais forte.

quarta-feira, outubro 25, 2006

suposições

bem que eu queria criar coragem, não fechar os olhos com tanta força e fingir que as coisas não acontecem. sempre me vem mais um daqueles dias, em que não me prendo à leitura alguma, só fico parada na mesma folha, sem deixar que me digam, sem querer dizer. já não gritam o meu nome tão forte, como se o medo ocupasse e lapidasse toda e qualquer "esperança". já não encontro as palavras adequadas. entre longos intervalos de silêncio só provoco um sussurro que não espanta e não me entrega à nada. adianta parar como num meio-fio de outras vidas e ficar só esperando? tão pacientemente esperando...o que? o que tem me feito parar sem reação, só ouvindo as notas de longe. só olhando. o que vai mudar se eu somente deixar que me vejam.
tantas clarezas, tantas intenções. às vezes as suposições ultrapassam seus próprios limites.
de sonhos tornam-se vida, ou mais uma daquelas histórias vistas de fora, sem que nada me puxe pra perto, sem que me faça falar ou cantar mais alto. fico observando como uma obra que não pode ser tocada, tão devagar, com medo da aproximação e do afastamento. presas a que limites? a vontade é de gritar alto, com uma voz que eu nunca tive, e ver se me ouve, ou se sequer vira rosto pra mim. quase como observar distâncias, com um nome e um som definido, só falta acontecer.

terça-feira, outubro 17, 2006

portas trancadas

não, não é hoje que vão me dizer o que fazer. prefiro as minhas velhas fugas. portas trancadas, como se pudesse me privar da vida! e por mais que ouse isso, não quero.
ao contrário, quero histórias que me façam correr pro mais longe, sem importar o que está aberto ou fechado. sempre tantas pessoas a conhecer pelo mundo. ninguém me prende em nenhum espaço que eu conheça, até o universo parece pequeno...

segunda-feira, outubro 02, 2006

início

Nasce outra vez. não que possa mudar de vida agora, mas me resta a consciência de não ser essa, de não ser esse lugar. Queria que a minha capacidade de começar qualquer coisa fosse maior, queria bater o pé mesmo e insistir no que eu falo, mesmo que não seja certo.

posso comemorar não importa a distância. e nunca importa o quanto eu quero? alguém olha de perto, só o espelho me reconhece, só ele é capaz de me entender.